
Trump acusa China de 'maior violação de dados eleitorais' e reacende dúvidas sobre eleições nos EUA
Em discurso televisionado, o presidente dos EUA alegou que Pequim obteve ilegalmente 220 milhões de registos de eleitores e que agências de inteligência ocultaram a interferência, sem apresentar provas de manipulação de votos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de quinta-feira (16) que a China executou “a maior violação de dados eleitorais da história” ao aceder a 220 milhões de ficheiros de eleitores norte-americanos a partir de 2020. Durante um discurso em horário nobre a partir da Casa Branca, Trump anunciou a desclassificação de documentos de inteligência que, segundo a sua administração, revelam “vulnerabilidades chocantes” na infraestrutura eleitoral e um esforço deliberado de Pequim para impedir a sua reeleição. A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, declarando que “a China nunca interferiu e nunca interferirá nas eleições presidenciais dos EUA”.
Na perspetiva de Washington, a iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de pressão sobre o Congresso para aprovar o “Save America Act”, projeto de lei que exige prova de cidadania e identificação com fotografia para votar. Trump alegou ainda que uma análise do Departamento de Segurança Interna identificou cerca de 278 mil não-cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais e que máquinas de votação eletrónica são “facilmente comprometidas”. Líderes democratas, como o senador Chuck Schumer, acusaram o presidente de tentar semear desconfiança antes das eleições legislativas de novembro, nas quais os republicanos arriscam perder o controlo de uma ou de ambas as câmaras do Congresso.
Os documentos divulgados pela Casa Branca, no entanto, não corroboram a tese de que votos tenham sido alterados. Uma avaliação da comunidade de inteligência norte-americana de 2021, conduzida sob a direção de John Ratcliffe — então diretor de Inteligência Nacional de Trump e atual diretor da CIA —, concluíra que nenhum ator estrangeiro tentou ou conseguiu alterar “qualquer aspeto técnico” da votação presidencial de 2020. Analistas em Bruxelas e em Brasília observam que grande parte dos dados de registo de eleitores referidos por Trump são, em muitos estados, informação pública, acessível a consultores políticos e a governos estrangeiros. Especialistas em segurança eleitoral sublinham que as máquinas de votação nos EUA não estão ligadas à internet e são auditadas com recurso a boletins em papel, o que torna extremamente difícil uma manipulação em larga escala.
O discurso ocorre num momento de fragilidade política para Trump, com índices de aprovação em queda e uma guerra impopular contra o Irão a pressionar os preços dos combustíveis. A decisão de várias cadeias de televisão, como ABC, NBC e CNN, de não transmitir o discurso em direto nos canais principais foi criticada pelo presidente, que as acusou de fazerem “parte da conspiração”. A administração instruiu o FBI, a CIA e o diretor de Inteligência Nacional a investigar a forma como a informação sobre a China foi gerida, enquanto o “Save America Act” permanece bloqueado no Senado, sem os votos necessários para ultrapassar a regra dos 60 votos.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
China compromised 220 million election data, as denounced by President Trump.
The accusation is presented as news fact, without questioning its veracity, thus normalizing the idea that China actually breached the data.
It does not mention that Trump's accusations have been repeatedly debunked and that the declassified documents are partially redacted.
Trump's accusations against China lack concrete evidence and are part of a pattern of unfounded statements.
The repetition of the lack of evidence and the reference to the context of previous unfounded claims systematically discredit the accusation.
President Trump has accused China of stealing data of 220 million voters.
The accusation is reported neutrally, but the inclusion of the detail that voter lists are public introduces an implicit counterpoint that reduces its severity.
It does not contextualize the accusations within the geopolitical tensions between the US and China, nor does it mention official Chinese denials.
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