
Secretário dos EUA celebra eliminação do Irã com 'dança da alegria' após restrições na Copa
Markwayne Mullin admitiu ter dançado de contentamento com a saída da seleção iraniana, que enfrentou limitações de vistos e deslocamentos durante o torneio.
A seleção do Irã ficou a um passo das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, mas um gol da Áustria nos instantes finais da última rodada da fase de grupos, contra a Argélia, empurrou os iranianos para a nona colocação entre os terceiros colocados — apenas os oito melhores avançavam. O empate em 1 a 1 com o Egito, em Seattle, foi o terceiro resultado igual do Irã no Grupo G, que também contou com Bélgica e Nova Zelândia. A eliminação foi confirmada já com a equipa fora de campo, e a frustração desportiva rapidamente ganhou contornos diplomáticos.
Horas depois, o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, disse numa conferência de imprensa em Washington que festejou a saída dos iranianos com uma “dança da alegria”. Mullin afirmou que “nenhuma equipa deu mais trabalho” e que ficou “muito feliz” quando os vistos foram cancelados e a delegação deixou o país. O governante alegou ainda que quase metade das pessoas que o Irã pretendia levar aos EUA tinham ligações diretas com a Guarda Revolucionária Islâmica, acusação que a federação iraniana classificou como “totalmente desprovida de qualquer fundamento”.
A participação do Irã decorreu sob forte tensão geopolítica. Em fevereiro, os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, e um bombardeamento a uma escola primária em Minab, no primeiro dia dos combates, matou 168 crianças — episódio que, segundo o New York Times, investigações militares americanas apontaram como da responsabilidade dos EUA. Durante o torneio, os jogadores iranianos usaram patches com o número 168 e publicaram homenagens nas redes sociais. As restrições impostas por Washington obrigaram a equipa a instalar-se em Tijuana, no México, e a viajar para os jogos apenas 24 horas antes, com ordem de abandonar o território americano imediatamente após cada partida. O capitão Mehdi Taremi queixou-se de ter sido retido para verificação de documentos, e o treinador Amir Ghalenoei denunciou um tratamento “muito injusto”.
A comitiva iraniana deixou notas de agradecimento nos vestiários de Los Angeles e Seattle, nas quais evocou o “espírito do Irã” e sublinhou que “só com justiça e honra se pode erguer a cabeça perante a história”. Ghalenoei apelou à FIFA para que “não permita que anfitriões tratem equipas e jogadores da mesma forma no futuro”. A federação internacional, cujo presidente, Gianni Infantino, é próximo de Donald Trump, não se pronunciou sobre as declarações de Mullin. Na imprensa brasileira, a cobertura destacou o ineditismo das restrições a uma seleção em solo americano, enquanto analistas em Teerã viram nas palavras do secretário a confirmação de uma postura hostil que, para a federação local, “revela um nível de mesquinhez que nem a presença de uma equipa de futebol no maior palco desportivo do mundo tolera”. O Irã despede-se do torneio sem derrotas, mas também sem a vaga que esteve a um minuto de conquistar, e regressa a casa com a sensação de que o campo e a política se confundiram de forma irremediável.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa iraniana apresenta a dança do secretário de Segurança Interna dos EUA como um ato deliberado de humilhação e desrespeito ao Irã, enquadrando-o como mais um exemplo de arrogância e hostilidade americana. A celebração da eliminação do Irã da Copa do Mundo não é vista como um evento esportivo, mas como uma provocação política, reforçando a narrativa de inimizade dos EUA. A ênfase está no insulto ao orgulho nacional e pede-se uma resposta firme.
A imprensa indiana e sul-asiática cobre a dança do secretário dos EUA como uma história de interesse humano leve, focando na reação peculiar de um funcionário americano a um resultado esportivo. O tom é neutro e descritivo, tratando-o como uma anedota menor em vez de uma declaração política. Não há julgamento moral ou enquadramento geopolítico.
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