
A maratona aérea de Infantino: 24 jogos, 50 mil km e a imagem que enganou o mundo
O presidente da FIFA assistiu a quase um terço dos jogos da fase de grupos do Mundial 2026, mas o seu jato privado emitiu 516 toneladas de CO2, o equivalente ao consumo anual de 78 pessoas.
A imagem correu o mundo: Gianni Infantino surgia, em simultâneo, nos ecrãs de dois estádios diferentes, durante os jogos Equador-Alemanha e Curaçao-Costa do Marfim, a 25 de junho. A montagem, que misturava capturas de ecrã de partidas anteriores com manipulação por inteligência artificial, foi desmontada por verificadores de factos, mas o episódio cristalizou uma realidade: o presidente da FIFA tornou-se uma presença ubíqua neste Mundial, ao ponto de a sua omnipresença parecer inverosímil.
Os números da digressão são extraordinários. Durante as duas semanas da fase de grupos, Infantino assistiu a 24 dos 72 encontros, deslocando-se num jato privado Gulfstream G650ER que percorreu pelo menos 50.122 quilómetros — mais do que a circunferência da Terra. Dados de rastreio de voos compilados pela BBC indicam que a aeronave passou mais de 66 horas no ar, consumindo em média 1.817 litros de combustível por hora. O resultado, segundo a mesma análise, foi a emissão de cerca de 516 toneladas de dióxido de carbono equivalente, uma pegada que, na perspetiva de especialistas em clima citados pela imprensa europeia e do Médio Oriente, contradiz os compromissos ambientais da própria FIFA.
A federação prometera reduzir as suas emissões em 50% até 2030 e atingir a neutralidade carbónica em 2040, além de apresentar o torneio como um modelo de sustentabilidade, com incentivos ao transporte público e à utilização de estádios já existentes. No entanto, um relatório de 2025 da organização Scientists for Global Responsibility projetou que a pegada total do Mundial 2026 poderá atingir 9 milhões de toneladas de CO2, tornando-o o mais poluente da história. A FIFA respondeu que o presidente viaja por razões de trabalho e que, por vezes, recorre a voos comerciais, mas não esclareceu se compensa as emissões dos trajetos privados.
A controvérsia ambiental soma-se a outra frente de pressão. Cinquenta eurodeputados enviaram uma carta à Comissão de Ética da FIFA a solicitar uma investigação a Infantino por alegada violação do princípio de neutralidade política, depois de o dirigente ter criado e atribuído de imediato um prémio da paz a Donald Trump, em dezembro de 2025. A queixa inicial partiu da organização de direitos humanos FairSquare, e os parlamentares europeus consideram que as declarações públicas de apoio ao então presidente eleito dos EUA desacreditam a instituição e o próprio torneio.
Enquanto o Mundial prossegue rumo aos oitavos de final, a imagem de Infantino a saltitar de costa a costa num jato privado alimenta o debate sobre a distância entre o discurso oficial e a prática dos dirigentes desportivos. A fotografia falsa que o colocava em dois estádios ao mesmo tempo foi desmentida, mas a sensação de que o presidente da FIFA está em todo o lado — e a que preço — permanece como uma das marcas desta edição.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Continental European press highlights the hypocrisy of Infantino preaching sustainability while flying a private jet for 24 matches, producing 516 tons of CO2. It underscores the contrast between FIFA's environmental statements and its president's actions, pointing to a lack of consistency.
Iranian press denounces Western hypocrisy: while preaching the fight against climate change, its leaders like Infantino pollute without restraint. This demonstrates the moral corruption of the capitalist system and the double standards of global powers.
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