
Ronaldinho regressa aos relvados aos 46 anos pelo Ravenna da Serie C italiana
O antigo melhor do mundo assinou contrato para disputar pelo menos um jogo em casa e marcar o último golo da carreira, ao mesmo tempo que lança a sua marca desportiva R10.
O desfecho concretizou-se numa sala de hotel em Miami: Ronaldinho Gaúcho, 46 anos, posou com a nova camisola do Ravenna FC pousada sobre a Bola de Ouro de 2005 e, ao lado do presidente Ignazio Cipriani, formalizou o vínculo que o torna jogador do clube da terceira divisão italiana para a temporada 2026-27. A imprensa italiana relata que o brasileiro não integrará o estágio de pré-época, mas estará na apresentação do plantel a 21 de agosto e disputará pelo menos uma partida do campeonato no Estádio Benelli, com lotação ligeiramente superior a 12 mil lugares. O próprio Ronaldinho, vestido de branco e com o característico boné de viseira virada para a nuca, afirmou: “Não vejo a hora de voltar a dançar com a bola”.
A operação tem uma vertente comercial explícita. O Ravenna será a primeira equipa a vestir a marca técnica R10, que Ronaldinho pretende lançar à semelhança do modelo Michael Jordan, e a camisola especial com o número 10 já é vendida na loja online do clube por 129 euros. Cipriani, natural de Ravenna e proprietário desde 2024, descreveu o momento como a realização de um sonho de infância inspirado pelo estilo iconoclasta do brasileiro. O dirigente mantém a ambição declarada de levar o clube até à Serie A e vê na contratação um salto de visibilidade internacional que, de outro modo, a equipa da Emilia-Romanha não alcançaria.
O regresso acontece depois de uma década afastado dos relvados profissionais — o último jogo oficial fora pelo Fluminense em 2015 — e de um período conturbado que a imprensa suíça e brasileira documentou. Em 2020, Ronaldinho foi detido no Paraguai por viajar com passaportes falsos, depois de o Brasil lhe ter confiscado o documento por dívidas fiscais; passou semanas detido e, segundo relatos, venceu um torneio de futsal entre reclusos cujo prémio foi um porco fumado. Nos anos seguintes, participou em jogos de exibição com atrasos e abandonos prematuros, como o que ocorreu em Lucerna, em novembro de 2025, onde chegou um minuto antes do início e deixou o estádio antes do apito final. A mesma imprensa suíça recorda que, em 2006, durante um estágio da seleção brasileira em Weggis, uma antiga dançarina invadiu o treino e beijou-o, episódio que então ganhou manchetes na Europa.
Na perspetiva brasileira, o anúncio reavivou a nostalgia por um jogador cuja carreira na seleção incluiu os títulos mundiais de 2002 e das Copas das Confederações de 2005, além do protagonismo no Barcelona. O próprio Ronaldinho enquadrou o regresso como um gesto de inspiração: “Espero que o impacto seja o mais positivo possível, que outros também se motivem a continuar e tenham a oportunidade de realizar os seus sonhos, tal como eu realizei os meus”. Observadores em Lisboa notam que o movimento ecoa uma tendência de antigas estrelas que prolongam a presença mediática através de clubes de menor dimensão, embora neste caso haja um plano desportivo mínimo — um golo oficial com a camisola giallorossa.
O próximo passo concreto será a apresentação do plantel a 21 de agosto, seguida da escolha de uma jornada em casa para a estreia. O Ravenna, que milita na Serie C, ganha assim uma projeção atípica para um clube do seu escalão, enquanto Ronaldinho procura encerrar a carreira com um último golo que, segundo Cipriani, “será algo especial”.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | +0.60 | aligned |
Uma jogada de marketing disfarçada de retorno esportivo. Ravenna quer manchetes, Ronaldinho uma última volta olímpica.
Ao destacar a idade e a divisão inferior, a narrativa enquadra o evento como um truque comercial, minimizando o mérito atlético e retratando-o como irregular para os padrões sérios do futebol europeu.
O mágico camisa 10 brasileiro está de volta para encantar, até na Série C. O futebol celebra seu filho predileto, que nunca para de espalhar alegria.
O tom triunfante eleva o gesto a símbolo da resistência da alegria latina contra o cinismo europeu, transformando o evento em um tributo à identidade futebolística sul-americana.
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