
Grupos sul-africanos ampliam fatias no Quénia e preveem 21,5 mil milhões de xelins extra em dividendos
Vodacom, Absa e Nedbank reforçam posições em Nairobi para captar lucros crescentes, enquanto a e& dos Emirados vende toda a participação na Vodafone por 5,95 mil milhões de dólares.
As multinacionais sul-africanas Vodacom, Absa e Nedbank deverão receber pelo menos 21,5 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 165 milhões de dólares) em dividendos adicionais, após a aquisição de participações reforçadas na Safaricom, no Absa Bank Kenya e no NCBA Group. A Vodacom concluiu no mês passado a compra de 15% adicionais da Safaricom por 204,3 mil milhões de xelins, elevando a sua posição para 22 mil milhões de ações. Em paralelo, a Absa lançou uma oferta pública para adquirir mais 16,5% da sua unidade queniana e o Nedbank apresentou uma proposta por 66% do NCBA.
Na perspetiva de Joanesburgo, o movimento insere-se numa estratégia de expansão para mercados de maior crescimento, face a um setor financeiro doméstico maduro e a um crescimento económico lento. O Quénia funciona como porta de entrada para a Comunidade da África Oriental, um bloco que expande a pelo menos 5% ao ano, e oferece regulação financeira sólida, facilidade de repatriamento de dividendos e um xelim livremente transacionado. A estabilidade cambial atual e a ampla liquidez em dólares reduzem o risco de pressão sobre o mercado cambial doméstico com o aumento da repatriação de lucros.
A Safaricom, cujo exercício findou em março, declarou um dividendo total de 2 xelins por ação. Com a nova participação, a Vodacom poderá arrecadar 44 mil milhões de xelins se o valor for mantido no próximo ano, face aos 32 mil milhões anteriores. A empresa já assegurou 6,9 mil milhões de xelins em dividendos das novas ações a pagar em setembro, gerando um retorno imediato sobre o investimento. A agência de notação Moody’s considerou que a operação da Absa permitirá ao grupo capturar uma fatia maior dos lucros da unidade queniana, com perspetivas de solidez e crescimento.
Entretanto, a Safaricom propôs na assembleia geral de 31 de julho uma alteração aos estatutos para impedir a utilização de reservas na recompra de ações próprias. A empresa detinha 165,74 mil milhões de xelins em resultados retidos ao nível do grupo em março de 2026. A medida restringe a aplicação desses fundos ao negócio ou a investimentos que não sejam títulos da própria companhia, numa abordagem conservadora à alocação de capital.
Num movimento distinto, o grupo emiradense e& alienou a totalidade da sua participação de 16,21% na Vodafone por 5,95 mil milhões de dólares ao veículo Vega, da família Niel. A transação, que inclui o dividendo final do exercício de 2026 da Vodafone a pagar a 30 de julho, gerará um retorno líquido de caixa de 1,3 mil milhões de dólares. As ações serão transferidas para instituições financeiras até à conclusão dos procedimentos regulatórios. O desinvestimento contrasta com a aposta sul-africana em África e será acompanhado de perto pelos mercados, tal como a assembleia da Safaricom no final de julho e a conclusão das ofertas da Absa e do Nedbank.
| Imprensa africana subsaariana | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.20 | neutral |
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
A África Oriental denuncia a extração de dividendos pelas multinacionais sul-africanas como uma ameaça à soberania econômica.
A narrativa usa a linguagem da 'fuga de capitais' para transformar uma transação comercial em uma questão de soberania.
Omite o contexto global da reestruturação das telecomunicações e a possibilidade de o capital sul-africano ser reinvestido noutras partes de África.
O Golfo celebra a desinvestimento como um movimento estratégico disciplinado, reforçando a imagem de um gestor de capital eficiente.
A narrativa adota o léxico de 'revisão estratégica' e 'retorno líquido' para apresentar a venda como uma decisão racional e não como uma retirada.
Silencia os efeitos da venda na presença da e& na África Oriental e as críticas locais à extração de capital.
A Europa descreve a aquisição como um negócio normal, sem atribuir significados geopolíticos ou económicos mais amplos.
A narrativa limita-se a relatar os detalhes financeiros e as partes envolvidas, evitando qualquer interpretação que possa politizar a transação.
Omite completamente o contexto da África Oriental e as preocupações locais sobre a fuga de capitais, tratando o assunto como puramente europeu.
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