
PMI global de junho revela divergência: expansão nos EUA, contração na Europa
Índices de gerentes de compras apontam crescimento moderado nos Estados Unidos, enquanto a zona do euro e o Reino Unido permanecem em território de retração, pressionados por custos energéticos e incerteza política.
Os índices preliminares de gerentes de compras (PMI) de junho, divulgados pela S&P Global, mostram um cenário económico global fragmentado. O PMI composto dos Estados Unidos subiu para 52,2, o nível mais elevado em quatro meses, sustentado pela expansão industrial (55,7) e por um setor de serviços que voltou a crescer (51,3). Em contraste, a zona do euro registou 49,5, ainda abaixo do limiar de 50 que separa expansão de contração, mas acima dos 48,5 de maio. O Reino Unido, por sua vez, viu o seu indicador cair para 49,4, o valor mais baixo em 14 meses, com o setor de serviços a contrair-se ao ritmo mais rápido em quase três anos e meio.
A divergência reflete dinâmicas setoriais distintas. Nos EUA, a produção industrial atingiu máximos de quatro anos, impulsionada, segundo Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, pela formação de stocks de segurança face a receios de abastecimento ligados ao conflito no Médio Oriente. Já na Europa, a fraqueza concentra-se nos serviços. O PMI de serviços alemão caiu para 48,0, o terceiro mês consecutivo de declínio, enquanto o francês prolongou uma sequência de seis meses de contração, penalizado pela subida dos preços da energia decorrente da guerra no Irão, de acordo com analistas consultados pela Bloomberg.
As pressões inflacionistas e a incerteza política agravam o panorama. No Reino Unido, a demissão do primeiro-ministro Keir Starmer e a expectativa de uma sucessão por Andy Burnham introduzem volatilidade nas perspetivas fiscais, num momento em que a dívida pública se aproxima de 100% do PIB. Empresas britânicas continuam a aumentar preços em reação aos custos elevados, enquanto a confiança dos consumidores permanece baixa. Na zona do euro, o Bundesbank projeta um crescimento de apenas 0,5% para a Alemanha, sustentado por gastos públicos em infraestrutura e defesa, mas o arrastamento do setor de serviços mantém a economia em terreno frágil.
Os próximos passos estarão condicionados pelas decisões dos bancos centrais. Nos EUA, sob a presidência de Kevin Warsh na Reserva Federal, os mercados antecipam dois aumentos de 25 pontos base até ao final do ano. No Reino Unido, o Banco de Inglaterra poderá subir os juros em dezembro, segundo dados da LSEG. A trajetória dos preços da energia e a evolução do conflito no Médio Oriente continuarão a ser fatores determinantes para a atividade global nos próximos meses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A atividade do setor privado na Zona do Euro contraiu-se pelo terceiro mês consecutivo, mas em ritmo mais lento, com o PMI composto subindo para 49,5. A Alemanha viu sua contração se aprofundar, enquanto o Reino Unido escorregou para território negativo. Os Estados Unidos continuaram a expandir-se, embora em um ritmo mais moderado.
A atividade empresarial caiu nas duas maiores economias da União Europeia em junho, com a Alemanha registrando seu terceiro mês consecutivo de contração, impulsionada pela queda mais rápida nos serviços desde 2022. O conflito no Oriente Médio é citado como um fator-chave que mina as perspectivas de crescimento, alimentando o ceticismo sobre a recuperação do bloco.
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