
Pentágono estima custo da guerra no Irã em US$ 37,5 bilhões e pede mais US$ 67 bilhões ao Congresso
Secretário de Defesa Pete Hegseth revelou o valor em audiência no Senado, enquanto democratas questionam a estratégia e o impacto fiscal do conflito que já dura cinco meses.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, revelou nesta terça-feira (21) que a guerra contra o Irã já custou 37,5 mil milhões de dólares aos cofres públicos norte-americanos, um aumento de quase 30% face à estimativa de 29 mil milhões apresentada em maio. Em audiência no Comité de Apropriações do Senado, Hegseth defendeu um pedido de financiamento suplementar de 67 mil milhões de dólares para o Pentágono, valor que integra um pacote orçamental republicano mais amplo de 95 mil milhões, o qual inclui ainda ajudas a agricultores afetados pelas tarifas comerciais e alterações à legislação eleitoral. O comparecimento do responsável pela Defesa ocorreu após o colapso do cessar-fogo acordado em junho e o reinício de ataques diários entre as partes, que já provocaram a morte de pelo menos 18 militares norte-americanos e deixaram cerca de 430 feridos desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Na perspetiva do Pentágono, o financiamento adicional é “urgente e necessário” para repor munições de alta precisão, mísseis hipersónicos e sistemas antidrone, além de garantir o pagamento de salários e a continuidade das operações. Hegseth atribuiu a dimensão do pedido à “negligência grosseira” da administração Biden e afirmou que as forças iranianas se encontram no seu momento de maior fragilidade militar em décadas. Já os senadores democratas contestaram a solicitação, classificando o conflito como uma “guerra de escolha” e não de necessidade. A senadora Patty Murray, a principal democrata no comité, alertou para o risco de “outra guerra sem fim” e questionou a lógica de injetar mais recursos quando o Pentágono ainda dispõe de 75 mil milhões de dólares de dotações anteriores por gastar. Outros legisladores, como a senadora Jeanne Shaheen, interrogaram Hegseth sobre a razão de pedir aos contribuintes que financiem uma guerra que a maioria da população não apoia, segundo sondagens recentes.
O impasse orçamental reflete o desgaste político de um conflito que pressiona a economia doméstica. O preço da gasolina nos EUA ultrapassou os quatro dólares por galão, enquanto o Irão mantém o estrangulamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do comércio global de hidrocarbonetos. A administração Trump ameaçou expandir os alvos para infraestruturas energéticas e para a instalação nuclear subterrânea de Pickaxe Mountain, ao mesmo tempo que os rebeldes houthis do Iémen, apoiados por Teerão, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, alargando a frente marítima. Do ponto de vista militar, o Pentágono admite que, sem os fundos suplementares, será necessário reduzir treinos e adiar investimentos em capacidades futuras, ainda que o pagamento às tropas esteja garantido.
O pedido de financiamento chega num momento de fragilidade legislativa para a Casa Branca, a seis meses das eleições intercalares de novembro, em que os republicanos arriscam perder a estreita maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. A oposição democrata procura associar o custo da guerra à perda de poder de compra das famílias, enquanto uma franja de republicanos fiscalmente conservadores exige cortes noutras rubricas para compensar o aumento da despesa militar. A votação da resolução orçamental está prevista para os próximos dias, mas o desfecho permanece incerto, num contexto em que, segundo analistas em Washington, a ausência de uma estratégia de saída clara alimenta a perceção de um conflito prolongado e sem horizonte diplomático imediato.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.40 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.10 | neutral |
A administração está sangrando o exército com uma guerra não planejada; o Congresso deve responsabilizá-la.
Ao justapor o aumento dos custos e as mortes de soldados com o pedido da administração, a narrativa cria um senso de crise fiscal e moral que exige supervisão do Congresso.
O bloco omite qualquer justificativa detalhada da guerra do ponto de vista da administração, como a necessidade estratégica ou a ameaça do Irã, concentrando-se em vez disso nos custos e nas disputas políticas.
A máquina de guerra americana está se esvaindo em uma agressão fútil contra o Irã; o custo real é muito maior do que o admitido.
Ao enquadrar o custo como um sinal de desespero e destacar o ônus para os contribuintes americanos, a narrativa deslegitima a guerra e retrata os EUA como sobrecarregados.
O bloco omite qualquer menção à lógica estratégica dos EUA ou à ameaça que o Irã representa, concentrando-se apenas no fracasso financeiro e moral da guerra.
O esforço de guerra deve ser sustentado; os fundos solicitados são essenciais para a prontidão militar e para evitar prejudicar a campanha.
Ao focar no impacto operacional e nos avisos de especialistas, a narrativa enquadra o pedido de financiamento como uma necessidade prática, e não como uma questão política.
O bloco omite o custo humano da guerra, como mortes de soldados e vítimas civis, e a controvérsia política em torno do conflito.
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