
Surto de Ébola na RD Congo já matou mais de mil pessoas e é o mais rápido de sempre
A estirpe Bundibugyo, sem vacinas ou tratamentos aprovados, e a desconfiança das comunidades estão a acelerar a propagação, enquanto a resposta internacional tenta recuperar o atraso.
O atual surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda ultrapassou as mil mortes, tornando-se o de progressão mais rápida desde que a doença foi identificada. Dados oficiais compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde congolês contabilizam 999 óbitos na RDC e dois no Uganda, num total de 2.493 casos confirmados até 20 de julho. O diretor-geral do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), Jean Kaseya, elevou o número para 1.031 mortos e sublinhou a ausência de vacinas, medicamentos e financiamento como fatores críticos. A epidemia, declarada a 15 de maio na província de Ituri, é causada pela estirpe Bundibugyo, para a qual não existem imunizantes nem terapêuticas aprovadas, e apresenta uma taxa de letalidade de cerca de 40%.
A velocidade do contágio explica-se, em grande parte, pela elevada proporção de novas infeções oriundas de cadeias de transmissão desconhecidas — cerca de 80% dos casos, segundo as autoridades sanitárias. A desconfiança das comunidades, alimentada por desinformação e pela fragilidade do sistema de saúde, tem dificultado o rastreio de contactos e os enterramentos seguros. Equipas de resposta foram atacadas por multidões enfurecidas, e profissionais de saúde abandonaram os postos em protesto por salários em atraso. A presença de grupos armados no leste da RDC, incluindo o M23 e as Forças Democráticas Aliadas, limita o acesso a zonas de transmissão intensa. A OMS estima que a dimensão real do surto possa ser duas a quatro vezes superior aos números oficiais.
A resposta internacional concentra-se no desenvolvimento acelerado de contramedidas. A Universidade de Oxford iniciou em julho o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina baseada na plataforma ChAdOx1, com 50 adultos saudáveis. Paralelamente, a OMS considera promissora uma candidata de dose única rVSV, e a Moderna anunciou uma parceria para avançar com uma vacina de mRNA, com investimento inicial de até 50 milhões de dólares da Coligação para as Inovações na Preparação para Epidemias (CEPI). Dois tratamentos experimentais estão a ser testados no terreno, e a OMS concedeu autorização de utilização de emergência ao primeiro teste de diagnóstico molecular para esta estirpe. Contudo, um relatório das organizações PATH e Impact Global Health revela que 88% dos diagnósticos aprovados para Ébola exigem infraestruturas laboratoriais inexistentes na maioria dos centros de saúde primários africanos, e que o financiamento para investigação neste domínio caiu para menos de metade desde 2015.
Na perspetiva de observadores em Lisboa e em Brasília, o surto reacende o alerta para a necessidade de reforço dos sistemas de saúde pública nos países lusófonos vizinhos, como Angola, que partilha fronteira com a RDC, embora não se tenham registado casos. O Uganda, que notificou 20 infeções, não regista novos casos há três semanas, mas precisa de completar 42 dias sem transmissão para ser declarado livre do vírus. O próximo marco a acompanhar serão os resultados preliminares dos ensaios clínicos em curso, que ditarão a disponibilidade de ferramentas preventivas e terapêuticas, enquanto a OMS insiste que o surto “ainda está um passo à frente” e que a fase atual é de tentar alcançá-lo.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
The WHO and Congolese health authorities stress the severity of the situation and the need for a global response.
By highlighting underreporting and the lack of vaccines, the narrative creates urgency and legitimizes international intervention.
Does not mention the armed conflict in the region, which hinders the response.
China observes the health crisis in Africa with concern and emphasizes the need for international cooperation to address the emergency.
By emphasizing the unprecedented speed and lack of treatments, the narrative amplifies the perception of a global threat, justifying an active role for China in the response.
Does not mention the role of armed groups or local challenges, focusing solely on the health dimension.
Local authorities and humanitarian organizations denounce that the response is hindered by instability and armed violence.
By inserting the conflict context, the narrative shifts focus from the pure health emergency to structural causes, suggesting that without peace, epidemic control is impossible.
Does not mention the lack of specific vaccines for the variant, which is emphasized by other blocs.
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