
Após protestos, Zelensky demite chefe do Exército e nomeia Mykhailo Drapatyi
A decisão ocorre após dias de manifestações que exigiam a saída do general Oleksandr Syrskyi e o retorno do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, demitido na semana passada.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou na noite de terça-feira a destituição do comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Oleksandr Syrskyi, e a nomeação do major-general Mykhailo Drapatyi para o cargo. A substituição ocorre seis dias após a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, decisão que desencadeou a maior vaga de protestos de rua no país desde o início da invasão russa em 2022 e expôs uma fratura entre a ala reformista e a velha guarda militar.
Segundo o relato do próprio Zelensky, a exoneração de Fedorov deveu-se a um conflito insanável entre o ministro e Syrskyi. Fedorov, de 35 anos, ex-ministro da Transformação Digital, era visto como o arquiteto da modernização tecnológica das forças ucranianas, com ênfase no uso massivo de drones e na guerra eletrónica. Em contrapartida, Syrskyi, de 60 anos e formado na tradição soviética, era acusado por críticos em Kiev de resistir a reformas estruturais e de manter um estilo de comando centralizado que resultaria em elevadas baixas. Após a sua saída, Fedorov afirmou publicamente que o general bloqueava as suas iniciativas e pressionara Zelensky pela sua cabeça, versão que Syrskyi negou, embora tenha pedido desculpas por eventuais ofensas.
A dimensão dos protestos — com milhares de manifestantes em Kiev, Lviv, Dnipro e Odessa a exigir a reintegração de Fedorov e a demissão de Syrskyi — forçou o presidente a recuar. Na perspetiva de analistas em Bruxelas e Washington, a crise revelou uma tensão latente entre duas conceções da guerra: uma aposta na inovação e na agilidade operacional, personificada por Fedorov, e uma abordagem convencional de atrito, associada a Syrskyi. Observadores em Lisboa notam que a capacidade de mobilização da sociedade civil, mesmo sob lei marcial, sublinha a centralidade da opinião pública na condução do esforço de guerra. Em Brasília, o episódio é acompanhado com interesse no âmbito da cooperação em defesa, ainda que sem reflexos diretos na posição brasileira de não alinhamento.
Drapatyi, de 43 anos, comandava as Forças Conjuntas e construiu reputação em combates decisivos, como a defesa de Kryvyi Rih e a libertação de Kherson. É visto por setores militares ocidentais como um oficial mais permeável à integração de novas tecnologias e próximo das teses reformistas. Zelensky informou ter oferecido a Fedorov um “cargo digno” no governo para supervisionar a componente tecnológica do Estado, mas não confirmou se o ex-ministro aceitou. O Ministério da Defesa permanece sob a liderança interina de Yevhen Khmara, antigo dirigente do Serviço de Segurança. Os organizadores dos protestos deram a Zelensky até sexta-feira para repor Fedorov no cargo, sob ameaça de retomar as manifestações por tempo indeterminado. O presidente prometeu formalizar todas as decisões no dia seguinte e incumbiu Drapatyi e Khmara de apresentar uma nova estratégia de defesa, que inclua reformas no sistema de corpos do exército, aceleramento do fornecimento de armas e drones e um plano de mobilização mais claro.
| Imprensa iraniana e afins | 0.00 | neutral |
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O Irã reporta a notícia sem tomar posição, limitando-se a citar uma fonte ocidental.
Ao confiar em um veículo estrangeiro autoritário (The Guardian), a narrativa ganha credibilidade sem precisar formular sua própria análise.
Omite o contexto do conflito entre Syrsky e Fedorov, bem como os protestos na Ucrânia.
A Rússia denuncia o caos interno ucraniano e destaca a fraqueza do comando militar, prevendo mais dificuldades para Kiev.
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