
Marrocos inicia CAN feminina com ambição de ouro e Mundial à vista
Anfitriãs procuram título que escapou em duas finais consecutivas; Nigéria defende coroa e quatro vagas diretas para o Brasil 2027 estão em disputa.
O Estádio Moulay Hassan, em Rabat, recebe este domingo o jogo de abertura da Taça das Nações Africanas feminina de 2026, entre Marrocos e Quénia, num torneio que decidirá também os quatro representantes diretos de África no Mundial do Brasil 2027. As meias-finalistas garantem lugar na prova da FIFA, enquanto outras duas seleções seguirão para um ‘play-off’ intercontinental. Pela primeira vez, a competição continental funciona como via única de apuramento, o que eleva a pressão sobre as 12 equipas participantes.
Marrocos, que perdeu as finais de 2022 e 2024, chega embalado por um triunfo por 5-0 sobre Cabo Verde no último ensaio e por um estágio de um mês elogiado pelo selecionador espanhol Jorge Vilda. «Treinámos com intensidade e corrigimos erros», afirmou em conferência de imprensa, ladeado pela capitã Ghizlane Chebbak, recentemente eleita melhor jogadora africana. A avançada Sakina Ouzraoui Diki, do Anderlecht, sublinhou à FIFA a determinação em «mostrar o futebol marroquino» no Brasil, país que descreveu como «terra do futebol». Analistas em Rabat notam que a federação marroquina investiu fortemente na profissionalização da modalidade, colhendo já um oitavo de final no Mundial de 2023.
A concorrência empurra as anfitriãs para um grupo A exigente, com Senegal, quarto-finalista nas duas últimas edições, e uma Argélia que afastou os Camarões na qualificação. O Quénia, que regressa à CAN uma década depois, carrega consigo a memória das dificuldades de 2016, quando as jogadoras chegaram a dormir em balneários. A antiga capitã Ann Aluoch, em declarações à imprensa de Nairobi, garantiu que «as Estrelas» podem surpreender, inspirando-se no feito de Cabo Verde no Mundial masculino. Os observadores em Lagos, por seu lado, lembram que a Nigéria, detentora de 10 títulos, defende o ceptro conquistado em 2024 com uma vitória por 3-2 sobre Marrocos na final. A médio-campista Toni Payne, do Inter de Milão, afirmou que as Super Falcons sentem o peso da herança mas estão focadas em renovar o cetro. O Gana, que anunciou uma lista de 25 jogadoras com sete estreantes, integra o grupo D juntamente com Camarões, Mali e Cabo Verde – a única seleção lusófona presente, cuja participação é acompanhada com expectativa em países como Portugal e Brasil.
Com os jogos a decorrerem até 16 de agosto em Rabat e Casablanca, os primeiros dias serão cruciais: Marrocos-Quénia abre o palco, enquanto o Gana de Portia Boakye só entrará em campo a 29 de julho frente a Cabo Verde. A distribuição das vagas para o Mundial do Brasil coloca um prémio imediato sobre cada partida, encurtando o caminho para as seleções que sonham com o palco global de 2027.
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