
Trump partilha vídeo de estrada marroquina com o seu nome e agradece a Mohammed VI
A via expressa Tiznit-Dakhla, que atravessa o território disputado do Saara Ocidental, foi designada como “President Donald J. Trump Highway” numa publicação do presidente norte-americano, sem confirmação oficial das autoridades marroquinas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou na sua rede social Truth Social um vídeo onde a via expressa que liga Tiznit a Dakhla, no Marrocos, surge com a designação “President Donald J. Trump Highway”, agradecendo ao rei Mohammed VI pela “grande honra”. A publicação não foi acompanhada por nenhum comunicado oficial de Rabat que confirmasse a alteração do nome. Inaugurada na totalidade em janeiro de 2025, a infraestrutura tem 1.055 quilómetros e representa um dos mais relevantes projetos rodoviários do país, com um investimento próximo de 10 mil milhões de dirhams (cerca de 880 milhões de euros).
A estrada atravessa o território disputado do Saara Ocidental, passando por El Aaiún e Dakhla, zonas controladas por Marrocos desde 1975 e reivindicadas pela Frente Polisario. Na perspetiva de Rabat, trata-se das “províncias do sul”, integradas no reino, e a obra insere-se no Novo Modelo de Desenvolvimento para essas regiões. O traçado serve também o futuro porto atlântico de Dakhla, peça central da iniciativa marroquina para facilitar o acesso dos países do Sahel ao oceano. Fontes marroquinas sublinham que o projeto reforça a ligação entre o norte e o sul do país e melhora a segurança rodoviária.
Observadores nos Estados Unidos notam que a referência ao nome de Trump surge num contexto de forte alinhamento diplomático entre Washington e Rabat. Em 2020, no final do seu primeiro mandato, Trump reconheceu unilateralmente a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental, como contrapartida pelos Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Marrocos e Israel. A administração Biden manteve essa posição. Analistas europeus consideram que a divulgação do vídeo pelo próprio presidente, sem anúncio oficial marroquino, pode ser lida como uma antecipação política destinada a consolidar o apoio dos EUA à reivindicação de Marrocos.
Nas redes sociais marroquinas, a notícia gerou reações divergentes. Enquanto alguns setores celebraram o gesto como um reforço simbólico da posição do reino, outros criticaram o que descrevem como um excesso de adulação. Do ponto de vista de Brasília e de Lisboa, a movimentação recorda a sensibilidade diplomática em torno do Saara Ocidental: ambos os países mantêm relações com Marrocos, mas sublinham a necessidade de uma solução no quadro das Nações Unidas. Até ao momento, fontes oficiais marroquinas não confirmaram qualquer alteração do nome da via, que mantém a designação técnica Tiznit-Dakhla.
| Imprensa do Golfo árabe | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.80 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.60 | aligned |
Morocco thanks Trump and King Mohammed VI bestows an honor, cementing a strategic alliance.
The article sidesteps any mention of the Western Sahara territorial dispute, presenting the decision as a sovereign act by the king that requires no external verification.
It omits the lack of official Moroccan confirmation and the Western Sahara dispute.
Europe inserts Trump's announcement into the Western Sahara dispute frame, highlighting the lack of official confirmation.
It highlights the link between the highway and the disputed territory, suggesting the naming is an attempt by Morocco to legitimize its annexation through association with the US.
It does not give voice to the official Moroccan position that considers Western Sahara an integral part of the kingdom.
Latin America denounces the highway's propaganda use to legitimize the occupation of Western Sahara.
The article consistently uses the term 'occupied' and recounts the conflict's history, framing the naming as an act of colonial imposition.
It omits the US recognition of Moroccan sovereignty over Western Sahara (announced in 2020) as a factor that might explain the decision.
The Arab world celebrates the naming as a Moroccan triumph, but a critical voice exposes its servile nature.
Celebratory accounts omit any reference to the lack of official confirmation, while the critical voice uses irony to highlight the absurdity of naming a highway after a foreign president.
The celebratory voices do not report local criticisms of American influence nor the fact that the Moroccan government has not yet officially confirmed the name.
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