
Exército libanês entra em zona-piloto no sul, mas disparos israelitas travam avanço
A primeira transferência de território prevista no acordo-quadro mediado pelos EUA foi marcada por tensão: militares libaneses foram alvo de tiros de advertência ao entrar em Zawtar al-Gharbiyeh, enquanto o Presidente Aoun se reunia com Trump em Washington.
O Exército libanês iniciou na terça-feira a sua implantação na localidade de Zawtar al-Gharbiyeh, no sul do Líbano, no primeiro teste concreto do programa de “zonas-piloto” acordado com Israel sob mediação norte-americana. Durante a operação, forças israelitas abriram fogo nas imediações das unidades libanesas, segundo o comando militar em Beirute, que advertiu que o incidente “pode dificultar a aplicação das medidas de destacamento”. O exército israelita confirmou os disparos, mas descreveu-os como tiros de advertência para o ar, depois de uma força libanesa com um veículo de engenharia ter atravessado, alegadamente, cerca de 150 metros para dentro de Zawtar al-Sharqiyah, área que Telavive considera fora da zona-piloto. O comando libanês negou qualquer incursão fora de Zawtar al-Gharbiyeh e acusou as tropas israelitas de se terem aproximado das suas posições, expondo os militares ao perigo.
O episódio ocorreu no mesmo dia em que o Presidente libanês, Joseph Aoun, se encontrou com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca. Na perspetiva de Washington, o arranque das zonas-piloto — que abrange também as aldeias de Froun e Srifa — representa um marco no acordo-quadro assinado em junho, que prevê a retirada faseada das forças israelitas e o destacamento do exército libanês como única autoridade armada legítima na região. Aoun pediu a Trump “apoio político” e agradeceu as “realizações históricas” alcançadas, enquanto o presidente dos EUA admitiu a possibilidade de dialogar com o Hezbollah se Beirute o desejasse, mas também sugeriu que uma intervenção da Síria contra o grupo poderia ser “eficaz”.
No terreno, a dimensão do desafio é visível. O presidente da câmara de Zawtar al-Gharbiyeh, Abed Ezzeddin, descreveu uma destruição “extremamente extensa”: mais de metade da localidade foi arrasada e as casas restantes sofreram danos severos, tornando a povoação inabitável. Equipas de engenharia do exército libanês iniciaram de imediato operações de desminagem e remoção de engenhos não detonados, enquanto as autoridades pediram aos residentes que não regressassem até a situação de segurança estabilizar. A presença militar israelita na vizinha Zawtar al-Sharqiyah, a escassos minutos a pé, alimenta o cepticismo local: “Como posso pensar em instalar-me ali se os israelitas estão mesmo ao lado?”, questionou o autarca.
O programa-piloto é visto por Israel como um teste à capacidade do Estado libanês de desarmar o Hezbollah, mas fontes israelitas já manifestaram dúvidas sobre a sua exequibilidade. O grupo xiita, que retomou os combates com Israel em março de 2026 em solidariedade com o Irão após os ataques norte-americanos a Teerão, não se pronunciou diretamente sobre o início das zonas-piloto. O seu secretário-geral, Naim Qassem, reiterou, contudo, o apoio à “resistência” e à luta pela “recuperação da terra e dos direitos”, numa mensagem enviada ao novo líder do Hamas, Khalil al-Hayya. A próxima etapa do processo depende da consolidação do controlo libanês nas três aldeias e da verificação da ausência de armamento não-estatal, um mecanismo ainda em negociação entre as partes, segundo fontes diplomáticas. O sucesso ou fracasso desta experiência condicionará o calendário de novas retiradas israelitas e a própria viabilidade do acordo-quadro como caminho para um cessar-fogo duradouro.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
O narrador libanês denuncia a agressão israelense e reivindica o direito de implantar o exército em seu próprio território.
O incidente é enquadrado como uma violação da soberania libanesa, usando a linguagem do direito internacional para legitimar a posição do Hezbollah e do exército libanês.
O Irã adverte que qualquer ataque será pago na mesma moeda e considera o apoio a tais ataques como um alvo legítimo.
A retórica de reciprocidade e identificação de alvos legítimos é usada para dissuadir adversários e mobilizar a base nacional.
O observador do Golfo registra as tensões sem tomar partido, destacando os riscos para a estabilidade regional.
O uso de linguagem factual e citação direta de fontes cria uma impressão de objetividade, ao mesmo tempo que transmite preocupação.
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