
EUA e Arábia Saudita fecham acordo nuclear que pode incluir enriquecimento de urânio
Pacto de 30 anos, estimado em dezenas de mil milhões de dólares, não inclui protocolo adicional da AIEA nem o 'padrão-ouro' de não enriquecimento, gerando receios de proliferação no Médio Oriente.
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita preparam-se para anunciar um acordo de cooperação nuclear civil com a duração de 30 anos, aprovado pelo Presidente Donald Trump, que poderá permitir ao reino enriquecer urânio em território próprio. O pacto, cujo valor é estimado em dezenas de mil milhões de dólares, atribui a empresas norte-americanas um papel central no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, incluindo a eventual construção de uma instalação de enriquecimento, caso um estudo conjunto de viabilidade conclua que tal se justifica. O anúncio ocorre num momento de tensão militar elevada, com os EUA e Israel a manterem operações contra o Irão e com os rebeldes houthis do Iémen a ameaçarem bloquear portos sauditas.
A administração Trump sustenta que o acordo trará benefícios económicos para a indústria nuclear norte-americana e dará a Washington capacidade de supervisão para evitar desvios para fins militares. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou em Manila que os EUA “não vão chegar a nenhum acordo com qualquer país do mundo que conduza ao risco de proliferação”. Contudo, legisladores de ambos os partidos no Congresso e responsáveis israelitas manifestaram oposição, receando que a capacidade de enriquecimento abra caminho a uma corrida armamentista regional. A Arábia Saudita insiste que o seu programa tem fins exclusivamente pacíficos, mas o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já declarou que o reino procurará obter armas nucleares se o Irão as desenvolver. Teerão, por seu lado, mantém que o seu próprio enriquecimento é civil, enquanto enfrenta ataques norte-americanos e israelitas que visam precisamente travar as suas capacidades nucleares.
O texto do acordo, segundo fontes citadas pela imprensa norte-americana, não inclui o chamado “padrão-ouro” — que proibiria Riade de enriquecer urânio ou reprocessar combustível irradiado — nem o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que permite inspeções mais intrusivas. As salvaguardas serão, em vez disso, negociadas bilateralmente. Este figurino contrasta com o acordo assinado em 2009 entre os EUA e os Emirados Árabes Unidos, no qual Abu Dhabi renunciou voluntariamente ao enriquecimento. Especialistas em não proliferação alertam que a autorização do enriquecimento em solo saudita pode criar um precedente e estimular exigências semelhantes por parte de outros Estados da região, como a Turquia e o Egito. O contexto é ainda marcado pelo recente pacto de defesa mútua entre a Arábia Saudita e o Paquistão, potência nuclear, cujo ministro da Defesa afirmou que o programa nuclear paquistanês “será disponibilizado” ao reino se necessário.
O acordo deverá ser submetido ao Congresso nos próximos dias, mas a sua entrada em vigor não depende de aprovação legislativa; para o bloquear, seria necessária uma maioria de dois terços, capaz de superar um eventual veto presidencial. A assinatura está prevista para esta quarta-feira, em Washington, pelo secretário de Energia, Chris Wright, e pelo ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman. A administração Trump desvinculou o dossiê nuclear do processo de normalização de relações entre a Arábia Saudita e Israel, que a anterior administração Biden tentara atrelar. O processo segue agora para o escrutínio parlamentar, onde se antecipa oposição, mas sem garantia de que esta seja suficiente para travar o entendimento.
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.70 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
A América Latina adverte: o acordo nuclear com Riad é uma bomba-relógio para a não proliferação.
Enfatiza a falta de controles internacionais e liga o acordo a um cenário de corrida armamentista, aproveitando o medo de um Oriente Médio nuclear.
O papel das empresas americanas e a cláusula de revisão conjunta que poderia limitar o enriquecimento são omitidos.
A Índia e o sul da Ásia denunciam: o acordo nuclear EUA-Arábia Saudita abre a porta para uma corrida armamentista no Oriente Médio e no sul da Ásia.
Liga o acordo à ameaça iraniana e ao possível apoio paquistanês, criando uma cadeia de escalada que justifica o alarme.
Os aspectos econômicos e a cláusula de monitoramento dos EUA são omitidos.
O Ocidente atlântico apresenta o acordo como uma oportunidade econômica e estratégica, com cautela sobre os riscos.
Equilibra os benefícios econômicos para as empresas americanas com os riscos de proliferação, mantendo um tom distante baseado em fontes oficiais.
Detalhes alarmistas e o contexto regional de corrida armamentista são omitidos.
A Rússia observa com distanciamento: o acordo nuclear EUA-Arábia Saudita exclui Moscou e Pequim, enquanto aumenta os riscos de proliferação.
Destaca a exclusão dos concorrentes e a falta de salvaguardas, mas sem condenação direta, mantendo um tom de notícia.
Os benefícios para a Arábia Saudita e o papel de monitoramento dos EUA são omitidos.
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