
Rússia conclui registo de partidos para a Duma sob escrutínio de fortunas e ativos estrangeiros
A Comissão Eleitoral Central russa finalizou a inscrição das cinco forças parlamentares para as eleições de setembro, enquanto a divulgação das declarações de rendimentos expôs patrimónios milionários e reacendeu o debate sobre a transparência dos candidatos.
A Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia registou, a 23 de julho, a lista federal do partido Rússia Justa, concluindo assim a inscrição das cinco formações com assento parlamentar para as eleições legislativas de 18 a 20 de setembro. O processo, que decorreu ao longo de uma semana, abrangeu o Partido Comunista (329 candidatos), Novas Pessoas (297), Rússia Unida (390), o Partido Liberal-Democrata (246) e Rússia Justa (260). Em paralelo, a publicação das declarações de património e rendimentos dos cabeças de lista e de outros candidatos gerou um pico de acessos que tornou inacessível o sítio da CEC, segundo a imprensa independente russa, e alimentou um debate público sobre a concentração de riqueza entre os aspirantes a deputados.
De acordo com os dados oficiais, o líder do partido Novas Pessoas, Alexei Netchaev, declarou um rendimento anual de 1,4 mil milhões de rublos, proveniente sobretudo de uma empresa de microfinanciamento e de juros bancários, enquanto o candidato do Rússia Unida Leonid Simanovski, coproprietário da Novatek, reportou 5,6 mil milhões de rublos. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, também na lista do Rússia Unida, declarou 32,5 milhões de rublos. A análise da imprensa russa independente sublinha que os rendimentos de alguns candidatos ultrapassam os orçamentos anuais de cidades médias do país. A mesma documentação revelou que o deputado Serguei Boiarski adquiriu, num único dia de junho, terrenos em São Petersburgo no valor de quase mil milhões de rublos, um montante vinte vezes superior ao rendimento conjunto do casal nos três anos anteriores.
A questão dos ativos estrangeiros também marcou a fase de registo. O correspondente de guerra Ievgueni Poddubni, incluído no topo da lista do Rússia Unida, declarou ações de empresas como Apple, Intel e Procter & Gamble, além de participações no grupo neerlandês Nebius, do fundador do Yandex. A direção do partido assegurou que Poddubni alienou esses instrumentos financeiros antes da inscrição, mas a situação evocou o caso do candidato comunista Pavel Grudinin, impedido de concorrer em 2021 por deter ativos estrangeiros. Na perspetiva de observadores ocidentais, a flexibilidade na aplicação da lei a candidatos próximos do poder contrasta com o rigor reservado a vozes críticas, um sinal de que o quadro legal eleitoral continua a ser instrumentalizado.
O Rússia Unida, que lidera o parlamento cessante com uma taxa de aprovação de 58% dos projetos de lei que apresentou, procura reforçar a sua posição com a nova versão do “Programa Popular”, para o qual diz ter recebido quase três milhões de propostas de cidadãos. O presidente do partido, Dmitri Medvedev, identificou o desenvolvimento regional e a demografia como prioridades. Em Marrocos, num contexto político distinto, o partido Istiqlal também validou os primeiros candidatos para as legislativas de setembro, num movimento que, segundo analistas magrebinos, visa consolidar a sua presença em círculos estratégicos como Larache e Benslimane.
A campanha eleitoral russa decorre sob sanções ocidentais e no quadro da operação militar na Ucrânia, fatores que, na leitura de fontes diplomáticas em Lisboa e Brasília, tendem a reforçar a coesão das elites em torno do Kremlin e a marginalizar a oposição não sistémica. A CEC deu por encerrada a fase de registo das forças parlamentares, mas continuará a verificar a documentação dos candidatos. As eleições, que se realizam em setembro, deverão confirmar a maioria do Rússia Unida, embora a atenção mediática sobre as fortunas dos candidatos possa influenciar a perceção pública da legitimidade do processo.
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.80 | critical |
Russia registers all parliamentary lists and publishes asset declarations, demonstrating transparency and regularity of the electoral process.
Emphasizes procedural regularity and the large number of proposals collected by the ruling party, normalizing the electoral process as administrative routine.
Omits controversies over foreign assets and the precedent of a candidate being disqualified for the same reason, as well as criticism of unequal treatment.
Russian deputies amass huge fortunes and hold foreign shares despite the ban, revealing a corrupt system.
Selects specific cases of wealth and foreign assets to create an impression of systemic corruption, using personal details to generalize.
Does not mention the official registration of all lists nor that the commission acted according to rules, nor the declarations of other candidates with modest incomes.
Amplie o olhar
UniCredit eleva metas de lucro e avança sobre Commerzbank com resultados recorde
3 idiomas · 6 veículos
De TechnologyMusk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE
3 idiomas · 5 veículos
De Science & HealthTerapias de precisão avançam contra doenças raras na China, Reino Unido e Américas
4 idiomas · 6 veículos