
Paris reencontra o Sena: banho entre bandeiras verdes e afogamentos
Três pontos balneares gratuitos reabrem após investimento de €1,4 bilhão, enquanto Moscou reduz zonas de banho e Paris contabiliza mortes por afogamento.
Manhã de sábado, 4 de julho. Os termômetros de Paris ultrapassavam os 30 graus e, no braço de Grenelle, sob a Torre Eiffel, os primeiros banhistas testavam a água do Sena equilibrados em boias amarelas obrigatórias. “É melhor que piscina, não é bem praia, mas dá um gostinho de férias”, comentou Lauriane Fiorentino, funcionária de uma construtora. Ao lado, o turista americano Benjamin Doncan exclamava: “Olhem essa água, a Torre ao fundo... pode haver algo mais bonito?”. Com essa cena, a prefeitura reabria, até final de agosto, os três locais de banho legados pelos Jogos Olímpicos de 2024, frequentados por quase 100 mil pessoas no verão anterior.
A proibição vigorava desde 1923. Para devolver o rio aos parisienses, o poder público investiu 1,4 bilhão de euros em estações de tratamento e na modernização do sistema de esgotos. Hoje a qualidade da água é aferida várias vezes ao dia, com bandeiras verde, laranja ou vermelha a informar os nadadores. O reflexo ecológico é visível: das três espécies de peixes que sobreviviam nos anos 1970, o Sena abriga agora mais de trinta, afirma a prefeitura, além de três mexilhões ameaçados de extinção. Nos três sítios – Bercy, Grenelle e Bras Marie – o acesso é livre, mas crianças menores de 14 anos precisam de acompanhante e todos devem usar a boia de sinalização.
Paris não está sozinha nessa reconciliação com as águas urbanas. Em Basileia, a cultura do “Wickelfisch” – o saco estanque que funciona como boia e cofre – faz do Reno um cotidiano balneário. Em Munique, a onda artificial do Eisbach atrai surfistas desde 2010. Londres inaugurou na primavera seu primeiro ponto de banho oficial no Tâmisa. Mas a geografia dos rios limpos é desigual: observadores em Moscou notam que as zonas permitidas na capital russa encolheram de nove para cinco em dois anos, por inconformidades microbiológicas, um sinal de que a recuperação é frágil.
A alegria do reencontro com o Sena convive, no entanto, com alertas sombrios. Na mesma manhã da reabertura, bombeiros retiraram do canal Saint-Martin o corpo de um homem de cerca de 30 anos – a segunda morte em pouco mais de uma semana naquele local, que a prefeitura havia aberto prematuramente ao banho durante a canícula. À escala nacional, a ministra dos Esportes francesa, Marina Ferrari, contabilizou mais de 90 afogamentos fatais desde 19 de junho, número que classificou de “inquietante”.
Para o mundo lusófono, a imagem de um Sena balneável ecoa como um horizonte de desejo urbano. No Brasil, rios como o Tietê ou o Capibaribe seguem como promessas de despoluição eternamente adiadas; em Portugal, as praias fluviais concentram-se no interior, longe das metrópoles. Ao cair da noite, a Torre Eiffel acende seu brilho sobre o rio, e alguns banhistas ainda flutuam, agarrados às suas boias amarelas – pequenos emblemas de uma cidade que tenta tornar sua artéria líquida um lugar de encontro, não apenas de passagem.
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
The opening is a success, but risks must be managed pragmatically.
It contrasts a positive element with a negative one to create a balanced picture, without alarmism.
Specific details about pollutants in the Saint-Martin canal and criticism from environmental groups are not mentioned.
The West hides its environmental failures behind glossy facades.
It contrasts the positive image (beaches) with the real risk (pollution) to suggest systemic hypocrisy, equating the situation to similar problems in Russia but with less transparency.
No mention is made of the remediation measures already implemented in Paris or the progress in Seine water quality.
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