
Serviço secreto russo acusa Londres de planear ataque com drone a museu em Sebastopol
SVR alega que conselheiros militares britânicos carregaram as coordenadas para destruir a Panorama da Defesa de Sebastopol, sem apresentar provas; Kiev não se pronunciou.
A 10 de junho, um drone de asa fixa atingiu o edifício da Panorama da Defesa de Sebastopol 1854‑1855, na península da Crimeia anexada pela Rússia, provocando um incêndio que destruiu mais de 90% da cópia do quadro exposto. O Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR) acusou agora o Reino Unido e os seus serviços secretos de terem planeado a operação, classificando‑a como uma “provocação meticulosamente planeada”. Segundo o comunicado do SVR, os militares ucranianos prepararam e lançaram os engenhos, mas “provavelmente não estavam a par do verdadeiro objetivo do ataque”, porque as missões de voo terão sido carregadas nos sistemas de armas por especialistas britânicos disfarçados de conselheiros militares.
Na perspetiva de Moscovo, a escolha do alvo insere‑se numa lógica de vingança histórica. O SVR sustenta que, em Londres, o conflito na Ucrânia é encarado como uma tentativa de desforra pelo fracasso do projeto de derrota estratégica da Rússia no século XIX, durante a Guerra da Crimeia. O museu, acrescenta o serviço russo, funciona como um “gatilho histórico” que desperta memórias dolorosas das pesadas baixas sofridas pela elite britânica naquela campanha. A porta‑voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, reforçou a tese ao afirmar que “Londres controla o regime de Kiev na prática de atos terroristas”. Nenhum elemento probatório foi tornado público e, como em anteriores acusações do SVR contra o Reino Unido — incluindo a alegada preparação do envio de materiais nucleares para a Ucrânia —, a denúncia não foi acompanhada de verificações independentes.
O ataque destruiu quase por completo a cópia da tela pintada em 1954 por artistas soviéticos a partir dos fragmentos sobreviventes do original de Franz Roubaud, danificado durante a Segunda Guerra Mundial. As autoridades nomeadas por Moscovo em Sebastopol classificaram o sucedido como um “ataque direcionado” e o fogo atingiu o quarto grau de complexidade. Contudo, o Museu da Defesa de Sebastopol informou que os fragmentos autênticos da obra de 1905 não foram afetados, pois já se encontravam noutra dependência a ser preparados para uma exposição. O governador Mikhail Razvozhayev estimou que a reconstrução da cópia poderá demorar entre quatro meses e três anos.
A península da Crimeia é alvo recorrente de ataques com drones e mísseis desde o início da invasão russa da Ucrânia. Só em abril de 2026, uma ofensiva aérea danificou cerca de 200 habitações em Sebastopol, e em maio do mesmo ano cinco civis morreram em Djankoi. Na perspetiva de observadores em Lisboa e Brasília, a acusação do SVR insere‑se num padrão de atribuição de responsabilidade a potências ocidentais por operações militares ucranianas, sem que sejam facultados elementos de prova. Até ao momento, o Reino Unido não comentou as alegações, e o dossier permanece sem qualquer investigação internacional independente.
| Imprensa russa e CEI | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
A Rússia acusa a Grã-Bretanha de orquestrar o ataque de drone ao museu de Sebastopol, afirmando que especialistas britânicos carregaram as missões de voo enquanto os soldados ucranianos estavam inconscientes.
A acusação é tornada plausível pela construção de uma narrativa histórica ligando o evento à Guerra da Crimeia, apresentando a Grã-Bretanha como um ator revanchista.
A versão russa omite mencionar que nenhuma evidência foi fornecida para apoiar a acusação.
O relatório transmite a acusação russa, mas observa que nenhuma evidência é fornecida, mantendo um tom cauteloso.
A credibilidade é construída enfatizando a falta de evidências, sugerindo que a alegação não é verificada.
A versão europeia continental omite o contexto histórico da Guerra da Crimeia e as declarações do MFA russo que reforçam a acusação.
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