
O gesto silencioso que a PlayStation deixou para trás
Um vídeo de 2013 em que um executivo passa um disco a outro sem palavras tornou-se a imagem-símbolo de uma era que a Sony encerrará em 2028, ao abandonar os jogos físicos.
Em 2013, a Sony publicou um vídeo que capturava, em poucos segundos, a alma do jogo em suporte físico. Um executivo estende a mão e entrega um disco a outro, sem uma palavra. O gesto era a metáfora oficial da empresa para a facilidade de emprestar, vender ou simplesmente guardar um título na estante. Quase década e meia depois, a mesma companhia anunciou que, a partir de janeiro de 2028, deixará de produzir discos para novos jogos da PlayStation. A imagem do disco a passar de mão em mão cede lugar a uma biblioteca digital intransferível, atada a uma conta de utilizador.
A decisão, comunicada no blogue oficial da PlayStation no início de julho, abrange todos os títulos inéditos para as consolas da marca. A Sony justificou a medida como uma adaptação às preferências do consumidor: em 2025, 78% das compras de jogos na plataforma já eram feitas por descarregamento digital. O anúncio surgiu pouco depois de a Rockstar confirmar que “Grand Theft Auto VI”, um dos lançamentos mais aguardados da década, também será exclusivamente digital. A convergência dos dois movimentos acelerou a perceção de que o formato físico caminha para a extinção no universo das consolas.
A reação nas redes sociais foi imediata e, em grande medida, de luto. A publicação da PlayStation na rede X acumulou 145 milhões de visualizações e 90 mil respostas em poucos dias, muitas delas a recordar que o mercado de discos mantinha a concorrência de preços e permitia a partilha de títulos. O criador Hideo Kojima, em visita a um festival de cinema em Itália, confessou-se entristecido com o fim dos discos e alertou para o risco de, no futuro, os utilizadores perderem o acesso a conteúdos que compraram. A conta oficial da PlayStation, que costumava publicar diariamente, ficou em silêncio desde o comunicado. Marcas como a KFC España e a fabricante de cadeiras Respawn ironizaram a situação, enquanto a plataforma GitHub, da Microsoft, ofereceu aos programadores a possibilidade de receberem os seus repositórios em CD-ROM, “para sempre, até que o percas”.
Na Ásia, a imprensa indonésia noticiou que a Sony enviou uma circular aos parceiros editores garantindo que os jogos lançados em disco antes de 2028 poderão continuar a ser reimpressos, ainda que com um novo procedimento de encomenda. A empresa também estuda permitir que as lojas físicas vendam códigos digitais, como alternativa à caixa vazia. Paralelamente, a Sony investiu milhões de dólares na conversão da sua fábrica de discos de Salzburgo, na Áustria, numa unidade de produção de microlentes óticas. A cibersegurança também entrou na equação: a Kaspersky detetou sites fraudulentos que se fazem passar por páginas oficiais de pré-venda de GTA VI, roubando dados bancários e espalhando malware, num sinal de como a excitação digital atrai novas formas de pirataria.
O que fica é um objeto que durante 35 anos foi sinónimo de autonomia para milhões de jogadores — o disco que se empresta ao vizinho, que se revende na loja de usados, que se guarda como memória tátil de uma narrativa vivida. A partir de 2028, o novo jogo da PlayStation não se toca: descarrega-se. E o gesto silencioso do vídeo de 2013 transforma-se, aos poucos, numa imagem de arquivo.
| Imprensa europeia continental | +0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
A Sony e a indústria de jogos abraçam o futuro: a despedida dos discos é uma escolha impulsionada pelo mercado, e o GTA 6 é seu símbolo.
O bloco normaliza a decisão apresentando-a como uma evolução natural, usando a referência ao GTA 6 como prova da tendência e omitindo vozes críticas.
O bloco omite as reações negativas dos consumidores e as preocupações sobre a perda de propriedade física.
A Sony assegura que os jogos já lançados em formato físico ainda podem ser reimpressos, oferecendo um compromisso entre o fim da produção e as necessidades do mercado.
O bloco adota uma abordagem pragmática, fornecendo detalhes técnicos e garantias para amenizar as críticas, sem defender ou atacar a decisão.
O bloco omite as críticas generalizadas e as preocupações de figuras como Kojima sobre a perda de controle.
Os jogadores se rebelam: a decisão da Sony de abandonar os discos é um ataque à concorrência de preços e à liberdade de escolha, e o alvoroço não mostra sinais de diminuir.
O bloco amplifica vozes críticas por meio de números e citações, criando a impressão de oposição massiva e unânime, sem dar espaço a posições favoráveis.
O bloco omite mencionar a possibilidade de reimpressões para jogos anteriores a 2028 e a mudança nos hábitos de compra para o digital.
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