
Pais imploram e estudantes choram nos portões fechados do reexame do NEET na Índia
A reaplicação do exame médico indiano, após anulação por fuga de provas, foi marcada por detenções por falsificação, protestos e cenas de desespero de candidatos que chegaram minutos atrasados.
Em Vidisha, no estado de Madhya Pradesh, uma candidata chegou ao centro de exames dois minutos após o fecho dos portões, às 13h30 de domingo. O pai, que a acompanhara numa viagem de 70 quilómetros sob chuva intensa e com um furo no pneu da moto, desabou em lágrimas e bateu com a cabeça contra o portão, enquanto a filha soluçava ao seu lado. Cenas semelhantes repetiram-se em Bengaluru, onde pelo menos três estudantes não conseguiram entrar devido a engarrafamentos alegadamente ligados a um comício político, e em Telangana, onde uma mãe se prostrou aos pés dos seguranças. Os vídeos, amplamente partilhados, reacenderam o debate sobre a rigidez das regras de acesso a exames que, para milhões de famílias, representam a única via de ascensão social — um fenómeno comparável, na perspetiva de observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro, à pressão dos vestibulares de medicina no Brasil e em Portugal.
O reexame, conduzido pela Agência Nacional de Testes (NTA) a 21 de junho, mobilizou mais de 20 lakh (dois milhões) de candidatos em 5.440 centros na Índia e 14 no estrangeiro, depois de a prova original de 3 de maio ter sido anulada por suspeitas de fuga de enunciados. A NTA implementou autenticação biométrica com Aadhaar, reconhecimento facial, videovigilância, inibidores de sinal e dupla revista. O diretor-geral Abhishek Singh classificou a operação como “isenta de erros e impecável” e justificou o bloqueio temporário da plataforma Telegram entre 16 e 22 de junho como necessário para travar a “perceção falsa de fuga” que, segundo a agência, aumentava o stress dos adolescentes e alimentava burlas com supostos enunciados.
No distrito de Lakhisarai, em Bihar, as autoridades detiveram várias pessoas por suspeita de falsificação de identidade durante a prova. Os números, porém, divergem: a polícia local confirmou inicialmente nove detidos, enquanto um canal noticioso indiano reportou 30 detenções, incluindo estudantes de medicina de faculdades como Patna Medical College e Anugrah Narayan Magadh Medical College. A polícia interrogava ainda operadores biométricos e intermediários. Em Indore, um estudante de direito foi preso por vender, através do Instagram, um falso enunciado gerado por inteligência artificial. A organização nacionalista hindu Vishva Hindu Parishad (VHP) alegou, por seu turno, que candidatos hindus foram impedidos de usar fios sagrados (kalava) e colares, enquanto muçulmanas puderam usar hijab e burca, e exigiu um inquérito à NTA.
Em Nova Deli, o protesto do Cockroach Janta Party (CJP) em Jantar Mantar prosseguiu pelo terceiro dia, com o fundador Abhijeet Dipke a denunciar a exigência de cartões Aadhaar pela polícia para acesso à vigília e a suspensão do abastecimento de água nas casas de banho. O movimento, que exige a demissão do ministro da Educação, realizou uma vigília com velas em memória dos estudantes que alegadamente se suicidaram após a controvérsia da fuga de provas. As investigações sobre as redes de falsificação e a desinformação prosseguem, enquanto a NTA prepara a publicação da chave de respostas provisória, prevista para meados de julho.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A repetição do NEET-UG transformou-se num novo campo de batalha político e social. Protestos liderados por jovens exigem a demissão do ministro da Educação e acusam a polícia de restringir o acesso, enquanto novas detenções por falsificação de identidade em Bihar e histórias dilacerantes de estudantes barrados nos portões alimentam a raiva contra um sistema visto como corrupto e insensível.
Após um vazamento de questões, a Índia repetiu o exame de admissão à medicina sob rigorosa monitorização governamental. O incidente é enquadrado como mais um caso de fraude num sistema de exames extremamente competitivo, enquanto os protestos de rua são registados como um facto lateral. A tónica está nas medidas de controlo e na necessidade de prevenir futuras irregularidades.
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