
Pato Merlín vira símbolo do Mundial e chega ao palácio presidencial no México
A ave, mascote informal da Copa de 2026, foi recebida pela presidente Claudia Sheinbaum, enquanto a família busca registar a marca e enfrenta restrições de acesso aos estádios.
O pato Merlín, que se tornou fenómeno viral durante a Copa do Mundo de 2026, foi recebido esta segunda-feira pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, no palácio presidencial, num gesto que o governo descreveu como “humanista”. A família proprietária da ave — a vendedora ambulante Karla Gómez e os seus dois filhos — anunciou que iniciou o registo da imagem e do nome do animal como marca comercial junto do Instituto Mexicano da Propriedade Industrial (IMPI), numa tentativa de controlar a exploração comercial da popularidade súbita.
A fama de Merlín começou com vídeos do pato a circular entre adeptos nas celebrações de rua após a vitória do México sobre a África do Sul, a 11 de junho. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) e as autoridades da Cidade do México designaram-no “embaixador” informal do torneio, mas o regulamento do Estádio Ciudad de México e o código de conduta da FIFA proíbem a entrada de animais, exceto cães-guia. A Unidade de Fauna Silvestre da capital alertou ainda para o risco de abandono de patos e outras aves, à medida que a notoriedade do animal estimula a compra impulsiva de mascotes não convencionais.
Na conferência de imprensa matinal, Sheinbaum comprometeu-se a ajudar a família a converter a fama em melhoria da qualidade de vida, sem detalhar medidas concretas. Karla Gómez relatou que o pato, de dois anos, usa meias protetoras desde que lhe roubaram os sapatos especiais, e que a sua dieta inclui ração, vegetais, fruta, proteínas e, aos domingos, um taco de carnitas oferecido por um vendedor ambulante. A família, que vende bebidas no centro histórico, descreveu-se como “família trabalhadora” e afirmou que não permitirá que outras empresas lucrem com a imagem do animal, com exceção da refresqueira mexicana Pascual.
A ascensão de Merlín insere-se numa tradição de mascotes animais em Copas do Mundo, como o polvo Paul em 2010 e o cão Pickles em 1966. Na perspetiva de analistas mexicanos, o fenómeno reflete uma narrativa oficial que procura projetar a imagem de famílias mexicanas resilientes, em contraste com representações de violência. Observadores internacionais notam que a rápida comercialização — com peluches já à venda no centro da capital — e o registo de marca ilustram a tensão entre espontaneidade popular e apropriação económica. O acesso de Merlín ao estádio para o jogo contra a Chéquia permanece incerto, dependendo de uma autorização extraordinária das autoridades competentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O pato Merlín, mascote não oficial da Copa do Mundo de 2026, foi recebido pela presidente Sheinbaum no Palácio Nacional. A presidente destacou a história humana da família e prometeu apoio, enquanto a dona iniciou o registro da marca para capitalizar a fama do animal. Um reflexo do humanismo mexicano e do espírito empreendedor.
Enquanto a presidente Sheinbaum posa com um pato viral, as preocupações com a segurança da Copa do Mundo permanecem. A comovente sessão de fotos desvia a atenção dos desafios de segurança que o torneio enfrenta. O pedido de marca do pato é uma jogada inteligente, mas o timing levanta questões sobre prioridades.
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