
Lagarde afasta resposta enérgica do BCE, mas pede debate sobre yuan
Presidente do BCE considera choque inflacionário contido e manufatura resiliente, enquanto insta o G7 a discutir desequilíbrios cambiais com a China.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou esta segunda-feira que o choque inflacionário provocado pelo conflito no Médio Oriente é “demasiado grande para ser ignorado”, mas ainda não justifica uma resposta de política monetária mais enérgica. Perante a comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, Lagarde situou a zona euro num cenário intermédio — um desvio não muito persistente da meta de 2% — que exige apenas um ajustamento moderado das taxas de juro. O BCE subiu este mês a taxa de depósito para 2,25%, a primeira alteração em quase três anos, e os mercados avaliam se haverá novas subidas ainda este ano.\n\nA guerra está a travar a atividade económica, sobretudo nos serviços, mas a indústria transformadora tem mostrado “uma certa resiliência”, sustentada pela acumulação de inventários e pelo aumento da despesa com defesa. As projeções do BCE apontam para um crescimento do PIB real de 0,8% em 2026, acelerando para 1,5% em 2028, embora a confiança tenha sido afetada e os custos energéticos estejam a comprimir os rendimentos reais. Lagarde sublinhou que os balanços das famílias permanecem sólidos e que o consumo continuará a ser o principal motor da expansão. A queda do preço do petróleo para abaixo dos 80 dólares, após o roteiro de negociações entre Washington e Teerão, aliviou parcialmente as pressões, mas a inflação subjacente acelerou para 2,6% em maio, mantendo os responsáveis europeus em estado de vigilância.\n\nNa perspetiva de Moscovo, analistas russos observam que a vaga global de aperto monetário — com a Reserva Federal dos EUA a manter as taxas e outros bancos centrais a subi-las — é impulsionada pelo conflito no Médio Oriente e pelo encarecimento dos combustíveis. Contudo, sublinham que a rigidez da política monetária russa responde a fatores endógenos, como um mercado de trabalho tenso e o aumento da despesa orçamental. Em Bruxelas, Lagarde introduziu ainda uma dimensão cambial ao debate, instando os líderes do G7 a discutir a subvalorização do yuan como parte dos desequilíbrios que ameaçam a economia global. A presidente do BCE afastou, porém, a ideia de um novo Acordo de Plaza, considerando que os tempos são diferentes.\n\nO BCE manterá uma abordagem reunião a reunião, dependente dos dados, sem se comprometer previamente com uma trajetória de taxas. Os mercados antecipam pelo menos mais um quarto de ponto este ano, mas a evolução das conversações entre EUA e Irão e as discussões do G7 sobre desequilíbrios cambiais serão marcos decisivos. Para economias lusófonas como Portugal e Brasil, a orientação cautelosa de Frankfurt e as tensões comerciais globais representam variáveis a monitorizar nos próximos meses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A presidente do BCE minimiza os receios de efeitos inflacionários de segunda ordem, defendendo que as expectativas de preços a longo prazo continuam bem ancoradas. O banco central aumentou as taxas, mas Lagarde acredita que a política monetária atual é adequada para trazer a inflação de volta a 2%.
Lagarde não vê necessidade de uma resposta mais contundente do BCE ao conflito no Oriente Médio, pois a inflação deve retornar à meta. Ao mesmo tempo, levanta a questão dos desequilíbrios cambiais globais e insiste que a China faça parte de qualquer discussão sobre taxas de câmbio.
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