
Marketplaces russos bloqueiam venda de combustível por ordem da autoridade antitruste
Avito, Ozon e Wildberries restringem anúncios de gasolina e diesel para conter especulação, enquanto a produção das refinarias cai 25% após ataques ucranianos.
A autoridade antitruste da Rússia (FAS) anunciou que as plataformas digitais Avito, Ozon e Wildberries passaram a bloquear anúncios de venda de combustível automotivo, numa tentativa de conter a especulação que se intensificou com a escassez de oferta no mercado interno. A Avito ocultou temporariamente todos os anúncios da categoria até rever as regras de publicação; a Ozon e a Wildberries proíbem a criação de fichas de produto, bloqueando-as ainda na fase de moderação. A medida surge após o aparecimento de centenas de ofertas de particulares, com preços que, em regiões como Moscovo, chegavam a 130 rublos por litro — quase o dobro do valor médio praticado nas bombas.
Em paralelo, a FAS abriu investigações contra três grandes comercializadoras de petróleo — Solid-tovarnye rynki, Agrotorg Yug e Khansel — por indícios de coordenação em leilões na bolsa. Segundo o regulador, as empresas atuaram em conluio para revender gasolina e diesel a preços inflacionados, obtendo ganhos “em escala especialmente elevada”. A FAS também reforçou o controlo sobre as vendas ao setor agrícola e exigiu que as redes de postos “Trassa” e “Neftmagistral”, atuantes na região de Moscovo, entreguem até 26 de junho dados sobre preços médios ponderados e volumes comercializados.
A intervenção ocorre num contexto de crise de abastecimento que, em meados de junho, já abrangia pelo menos 53 regiões russas e os territórios anexados da Ucrânia. Dados da agência Reuters, citados por veículos russos, indicam que a produção diária de gasolina caiu para cerca de 90 mil toneladas métricas, uma redução de aproximadamente 25% face aos níveis de março, quando os ataques com drones ucranianos a refinarias se intensificaram. O Ministério da Energia russo reconheceu, pela primeira vez, que as incursões aéreas são a causa direta das “dificuldades” no mercado doméstico. A escassez é particularmente aguda na Crimeia, onde a venda foi suspensa em várias estações após um ataque à travessia de Kerch, e os preços em anúncios online chegaram a 350 rublos por litro.
Para observadores do mercado energético em Moscovo, a situação expõe a vulnerabilidade da infraestrutura de refino russa e pressiona o governo a recorrer a importações de emergência da Bielorrússia e, potencialmente, a embarques marítimos da Ásia. A FAS mantém verificações extraordinárias a outros operadores e discute o endurecimento das regras de participação nos pregões da bolsa de mercadorias, limitando o acesso a membros da associação nacional do setor. O desfecho das investigações e a eficácia do bloqueio de anúncios serão acompanhados de perto por mercados emergentes importadores de petróleo, como o Brasil, atentos aos reflexos nos preços globais dos refinados.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades russas ordenaram que os marketplaces bloqueassem revendas especulativas de combustível, e as plataformas cumpriram prontamente. O serviço antitruste também abriu processos contra três comerciantes de petróleo por suposto conluio para inflacionar os preços. A ação demonstra a eficácia da supervisão estatal na proteção do mercado.
A Rússia proíbe a venda de gasolina em marketplaces para conter a especulação, mas a verdadeira razão é a escassez de combustível causada pelos ataques ucranianos às refinarias. Os preços nas bombas estão subindo em todo o país, e as medidas antitruste parecem um remédio tardio para uma crise mais profunda. A guerra continua a atingir a economia russa.
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