
Ouro recupera com trégua EUA-Irã e queda do petróleo, mas juros limitam ganhos
Avanço nas negociações em Genebra reduz prémio de risco geopolítico e alivia pressões inflacionistas, enquanto expectativa de alta dos juros nos EUA contém valorização do metal.
O ouro spot subiu mais de 1% na segunda-feira, recuperando do mínimo de mais de uma semana tocado na sessão anterior, para cerca de 4.200 dólares por onça. O movimento coincidiu com a conclusão da primeira ronda de conversações entre altos funcionários dos EUA e do Irão na Suíça, que resultou num roteiro para um acordo definitivo no prazo de 60 dias, mediado pelo Qatar e pelo Paquistão. O anúncio fez os preços do petróleo Brent recuarem mais de 3%, aliviando receios de disrupção da oferta e, consequentemente, as pressões inflacionistas associadas à energia.
A queda do crude funciona como um duplo suporte para o metal precioso: reduz a perceção de inflação futura, que o ouro tradicionalmente cobre, e desvia a atenção dos investidores para ativos de refúgio num contexto de incerteza geopolítica ainda presente. Contudo, o efeito foi parcialmente neutralizado pelo endurecimento do discurso da Reserva Federal. O novo presidente, Kevin Warsh, centrou a sua comunicação nos riscos inflacionistas, e nove dos 19 decisores de política monetária anteveem a necessidade de subir a taxa diretora ainda este ano. A probabilidade de uma alta em dezembro, segundo a ferramenta FedWatch do CME, saltou de 61% para 89% após a última reunião do banco central.
Nos mercados do Golfo, a mediação ativa do Qatar e do Paquistão é interpretada como um sinal de distensão com impacto direto nos fluxos de energia e na navegação pelo Estreito de Ormuz, enquanto analistas em Londres e Nova Iorque sublinham que a trégua diplomática não elimina os focos de tensão no Líbano e no Médio Oriente alargado. A prata, o platino e o paládio acompanharam a tendência de valorização, refletindo a rotação de carteiras para metais físicos num ambiente de taxas de juro ainda incertas.
O próximo marco factual é a divulgação do índice de preços PCE nos EUA, a medida de inflação preferida da Fed, prevista para esta semana. O dado poderá calibrar as expectativas de política monetária e, por arrasto, a trajetória do ouro no segundo semestre. Paralelamente, os investidores monitorizarão a concretização do roteiro de 60 dias acordado em Genebra, cujo sucesso ou fracasso ditará a persistência do prémio de risco geopolítico nos mercados de matérias-primas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ouro recuperou da mínima semanal com o otimismo nas negociações EUA-Irã a pressionar os preços do petróleo, aliviando receios inflacionários. A alta foi travada pelas expectativas de subida dos juros da Fed. Analistas notaram que os preços da energia continuarão a ser o principal fator de curto prazo para os metais preciosos.
Os preços do ouro recuperaram com força da mínima recente após o surgimento de um roteiro de distensão EUA-Irã, que derrubou o petróleo. Investidores migraram para o ouro como proteção estratégica, temendo possíveis contratempos nas negociações de 60 dias. A alta foi contida pelas apostas em uma política monetária mais apertada nos EUA.
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