
Egito é barrado em Seattle, e Irã obtém folga em restrição de viagem antes de jogo decisivo
Às vésperas do duelo que define o Grupo G da Copa do Mundo, as seleções enfrentam condições opostas de deslocamento: os egípcios foram impedidos de permanecer na cidade-sede, enquanto os iranianos conseguiram autorização para entrar nos Estados Unidos 48 horas antes da partida.
A preparação para o confronto direto entre Egito e Irã, que pode selar a sorte de ambos no Grupo G da Copa do Mundo, ganhou contornos logísticos contrastantes. Depois de vencer a Nova Zelândia por 3 a 1 em Vancouver, no Canadá, a delegação egípcia planejava viajar imediatamente para Seattle, palco do jogo de sábado (27), mas foi impedida pelas autoridades americanas e obrigada a retornar à sua base em Spokane, a 450 quilômetros de distância. O treinador Hossam Hassan explicou que a intenção era minimizar o desgaste físico dos atletas. Quase simultaneamente, o Departamento de Segurança Interna dos EUA anunciou que a seleção do Irã, que tem seu acampamento em Tijuana, no México, poderá entrar no país dois dias antes da partida — um alívio em relação à janela de apenas 24 horas que lhe fora imposta nas duas primeiras rodadas. A equipe, porém, continua obrigada a deixar o território americano no mesmo dia do jogo.
A flexibilização para os iranianos ocorre após uma sequência de queixas e ameaças de recurso à Fifa. Nas partidas anteriores, ambas em Los Angeles, o time só recebia autorização para cruzar a fronteira na véspera e tinha de regressar ao México logo após o apito final, rotina que o técnico Amir Ghalenoei classificou como ‘a seleção mais oprimida de toda a Copa’. O diretor da força-tarefa da Casa Branca para o torneio, Andrew Giuliani, afirmou que a extensão do prazo para Seattle já estava prevista, caso as duas primeiras operações decorressem sem incidentes, e levou em conta o tempo maior de viagem. A Federação Iraniana de Futebol, que chegou a estudar uma reclamação formal, comunicou que a equipe deixará Tijuana na quarta-feira.
No campo desportivo, o Egito lidera a chave com quatro pontos, fruto da vitória sobre os neozelandeses e de um empate em 1 a 1 com a Bélgica na estreia. O Irã, com dois pontos, arrancou um 2 a 2 contra a Nova Zelândia e segurou um 0 a 0 diante dos belgas, que atuaram com um jogador a menos durante todo o segundo tempo. A Bélgica também soma dois pontos, e a Nova Zelândia tem um. Uma vitória iraniana em Seattle garante a inédita classificação às oitavas de final; até um empate pode ser suficiente, dependendo do resultado do jogo simultâneo entre Bélgica e Nova Zelândia em Vancouver. Para os egípcios, basta não perder para avançar.
A imprensa brasileira deu destaque ao contraste entre as condições de viagem, sublinhando o impacto sobre a preparação física dos atletas. Analistas no Rio de Janeiro observaram que o veto ao Egito e as restrições ao Irã se somam a outros episódios de tensão migratória no torneio, como o do árbitro somali impedido de entrar nos EUA. Em Lisboa, comentadores notaram que o caso expõe a dificuldade de conciliar exigências de segurança com o princípio de igualdade de condições entre as seleções. Ainda assim, gestos de fair play marcaram a passagem do Irã por Los Angeles: os jogadores deixaram uma nota manuscrita de agradecimento à cidade anfitriã, num raro momento de distensão.
O duelo no Lumen Field, marcado para a madrugada de sábado no horário de Brasília, definirá os classificados do Grupo G. Egito e Irã entram em campo com rotinas de preparação radicalmente diferentes, mas com o mesmo objetivo imediato: garantir presença na fase eliminatória de um Mundial já atravessado por logísticas de exceção.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A seleção egípcia, após derrotar a Nova Zelândia, foi impedida pelas autoridades americanas de ficar em Seattle antes do jogo contra o Irã. A equipe teve que alterar seus planos de viagem, enfrentando um contratempo logístico que atrapalhou a preparação.
A Casa Branca está a considerar aliviar as restrições de viagem rigorosas impostas ao Irão para o Mundial, que atualmente permitem a entrada apenas um dia antes do jogo e exigem a saída no mesmo dia. O treinador iraniano classificou a sua equipa como a 'mais oprimida' do torneio, enquanto as conversações exploram ajustes por motivos de segurança e logística.
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