
IMO inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz
A operação, coordenada com Irã, Omã e EUA, decorre enquanto persistem divergências sobre inspeções nucleares e a eventual cobrança de taxas de trânsito na via marítima estratégica.
A Organização Marítima Internacional (IMO), agência especializada das Nações Unidas, deu início nesta terça-feira a uma operação de grande escala para evacuar mais de 11 mil marinheiros que permanecem retidos no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico, em consequência do conflito armado entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. A operação, anunciada pelo secretário-geral Arsenio Dominguez, é conduzida em coordenação com Teerão, Omã, outros Estados costeiros da região, Washington e a indústria marítima, e baseia-se em garantias de segurança já verificadas para a navegação. Duas rotas temporárias — uma junto à costa omanita e outra junto à costa iraniana — serão utilizadas para evitar minas flutuantes, e os navios serão contactados individualmente para receberem um dia de trânsito atribuído, segundo um plano detalhado divulgado por Omã e pela IMO.
A evacuação avança num contexto de tréguas condicionadas. Um memorando de entendimento (MoU) assinado na semana passada suspendeu as hostilidades, mas as divergências entre Washington e Teerã persistem em pontos centrais. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em visita aos Emirados Árabes Unidos, reiterou que “nenhum país está autorizado a cobrar portagens ou taxas numa via navegável internacional”, referindo-se às pretensões iranianas de administrar o estreito. Em contrapartida, o negociador-chefe iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz “nunca voltará a ser o que era antes da guerra”, e Teerã e Omã anunciaram estar a estudar os “custos” de serviços marítimos conjuntos, sinalizando a possibilidade de futuras taxas de passagem. Quanto ao programa nuclear, os EUA sustentam que o MoU inclui inspeções robustas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA); o Irão nega, e o presidente Masoud Pezeshkian, em visita ao Paquistão, declarou que o país “nunca negociará as suas capacidades de defesa”.
O encerramento de facto do estreito pelo Irão a partir de 28 de fevereiro, após o início dos ataques norte-americanos e israelitas, estrangulou o fluxo de petróleo e gás natural liquefeito, elevando o preço do Brent acima dos 100 dólares por barril e afetando cadeias globais de abastecimento, incluindo as de fertilizantes. Desde a assinatura do MoU, a 17 de junho, pelo menos 172 navios atravessaram o canal, mas o volume diário permanece muito abaixo da média de 138 travessias anterior ao conflito; mais de 200 petroleiros aguardavam ainda esta terça-feira dentro do estreito, de acordo com dados da consultora Kpler e análises da BBC Verify. Para economias lusófonas com forte peso do comércio marítimo, como Brasil e Angola, a normalização do tráfego é acompanhada com atenção, dado o impacto da crise nos preços das commodities e nos custos de frete.
As negociações técnicas iniciadas na Suíça, com mediação do Paquistão e do Catar, prosseguem com o objetivo de alcançar um acordo definitivo no prazo de 60 dias prorrogáveis. A IMO publicará relatórios diários sobre o número de navios que deixam a região em segurança, mas o sucesso da evacuação depende de o estreito se manter aberto e de as partes honrarem os compromissos de cessar-fogo. A questão da administração futura da via marítima e o alcance das inspeções nucleares permanecem como os principais obstáculos a um entendimento duradouro.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ONU está a evacuar 11.000 marinheiros retidos pela guerra dos EUA e Israel contra o Irão, enquanto o senador Rubio alerta para possíveis portagens iranianas no Estreito de Ormuz. A OMI obteve garantias de segurança, mas Washington mantém-se cauteloso.
Na sequência do memorando de entendimento EUA-Irão, a OMI lançou a evacuação de 11.000 marítimos retidos no Estreito de Ormuz. Omã apresentou um plano com duas rotas seguras, e a operação está a ser coordenada com o Irão, os EUA e os Estados ribeirinhos de forma pragmática e tranquila.
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