
Ruptura tecnológica global derruba mercados asiáticos e reacende debate sobre valuations de IA
Queda de 10% do Kospi sul-coreano expõe ceticismo sobre retorno dos investimentos em inteligência artificial, enquanto petróleo recua com negociações de paz no Irão.
Na terça-feira, 23 de junho, o índice Kospi de Seul despencou 10% — a maior queda diária desde março — acionando disjuntores e eliminando milhares de milhões em valor de mercado. A vaga vendedora, concentrada nas gigantes de semicondutores Samsung e SK Hynix, propagou-se rapidamente para Wall Street, onde o Nasdaq-100 cedeu 3,29% e o S&P 500 recuou 1,44%. O estopim imediato foi a reavaliação de valuations esticados em ações ligadas à inteligência artificial, agravada por sinais da Reserva Federal de que as taxas de juro podem permanecer elevadas por mais tempo do que o antecipado.
Analistas na Ásia e nos EUA apontam para um descolamento crescente entre os biliões investidos em infraestrutura de IA e o caminho ainda incerto para a rentabilidade. “O debate da próxima fase não é se o tema é real, mas se a escala do investimento gerará os retornos que os investidores esperam”, observou Christoffer Enemaerke, da RBC BlueBay Asset Management, visão partilhada por operadores em Tóquio e Taipé, onde os fabricantes de hardware lideraram a alta deste ano. A guinada hawkish da Fed, reforçada por dados de inflação persistentes, pressionou adicionalmente as ações de crescimento ao elevar o custo de oportunidade de ativos que não geram rendimento.
As ondas de choque propagaram-se de forma desigual. As ações sul-coreanas recuperaram 3,3% na quarta-feira, com a Samsung e a SK Hynix a reaverem parte das perdas, enquanto o Nikkei japonês permaneceu em baixa de 0,9%. Na Índia, o Nifty 50 e o Sensex cederam 1,2% cada, com os setores de metais e TI a liderarem as quedas, e o índice de volatilidade VIX saltou 8,6%. Os mercados europeus mostraram resiliência relativa: o FTSE 100 de Londres recuou ligeiramente mas evitou o tombo, amparado pela reduzida exposição a tecnológicas. Em paralelo, o dólar fortaleceu-se para máximos de um ano e o iene oscilou perto de mínimos de quatro décadas, apesar da recente subida de juros do Banco do Japão para 1,00%, com alguns membros do conselho a defenderem um aperto adicional. Os preços do petróleo caíram para mínimos de quatro meses, pressionados por sinais de progresso nas conversações de paz no Irão, embora declarações contraditórias dos EUA e de Teerão sobre o controlo do Estreito de Ormuz tenham injetado incerteza.
Os investidores voltam agora a sua atenção para os resultados da fabricante de chips norte-americana Micron Technology, previstos para o final do dia, como um termómetro em tempo real da procura no setor de semicondutores. A trajetória das negociações com o Irão e qualquer orientação adicional da Fed moldarão o apetite pelo risco nas próximas sessões. Para os mercados lusófonos, a valorização do dólar e a oscilação das matérias-primas permanecem como os principais canais de transmissão, ainda que os impactos diretos nas ações tenham sido contidos pela ausência de pesos elevados em tecnologia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A liquidação global de tecnologia se aprofundou com os temores sobre os juros e as dúvidas sobre as avaliações de IA, eliminando bilhões dos mercados. As ações asiáticas oscilaram violentamente, e analistas alertam que oscilações tão rápidas sinalizam profunda instabilidade. Investidores correram para o dólar como porto seguro em meio ao sentimento frágil.
A venda massiva de ações de tecnologia é impulsionada por dois fatores principais: os enormes gastos de capital previstos em inteligência artificial e a probabilidade crescente de que os juros permaneçam altos por mais tempo. Os mercados estão reavaliando se o boom da IA pode justificar as avaliações atuais, enquanto a perspectiva de uma política monetária mais restritiva adiciona pressão.
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