
Moscovo reafirma defesa de Belarus e pressiona Minsk a ampliar papel na guerra, elevando tensão nuclear
Enquanto o Kremlin promete proteger o aliado com armas nucleares, fontes ocidentais revelam pressão para que Belarus acolha infraestrutura de drones contra a Ucrânia, num contexto de ultimatos de Kiev e manobras diplomáticas dos EUA.
O Kremlin reiterou publicamente o seu compromisso de defender a Bielorrússia contra qualquer ameaça, incluindo com recurso a armas nucleares, ao mesmo tempo que, segundo fontes ocidentais e antigos responsáveis russos citados pelo The Wall Street Journal, pressiona Minsk nos bastidores para que o país acolha estações de controlo de drones e eventualmente abra uma nova frente contra a Ucrânia. A dupla postura de Moscovo — garantias de proteção e exigências de maior envolvimento militar — intensifica a tensão na fronteira norte ucraniana e reaviva o debate sobre o papel das armas nucleares táticas já estacionadas em território bielorrusso.
Do lado russo, o porta-voz presidencial Dmitri Peskov afirmou que a Rússia 'estará sempre ao lado da Bielorrússia' na prosperidade económica e na resposta a ameaças 'diretas, quase-ameaças ou potenciais'. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, precisou que Moscovo está pronta a aplicar 'todo o conjunto de medidas' previstas no tratado do Estado da União. Paralelamente, o representante permanente russo na ONU em Genebra, Guennadi Gatilov, advertiu que a colocação de armas nucleares da NATO perto das fronteiras comuns seria encarada como ameaça direta e desencadearia contramedidas. A Ucrânia, por seu turno, emitiu um ultimato: o presidente Volodymyr Zelensky deu a Minsk um prazo para retirar equipamento militar russo utilizado para corrigir ataques contra o seu território, ameaçando agir contra essas infraestruturas. O líder bielorrusso, Alexander Lukashenko, procura equilibrar a pressão de Moscovo com uma abertura ao Ocidente — libertou cerca de 500 presos políticos e viu os EUA aliviarem sanções a bancos e empresas de potássio bielorrussas, numa tentativa de limitar a influência do Kremlin.
A dimensão nuclear ganhou contornos mais definidos com a entrada em vigor, em março de 2025, de um tratado de garantias de segurança entre os dois países, que autoriza a Rússia a usar armas nucleares em resposta a uma agressão convencional que crie 'ameaça crítica' à soberania ou integridade territorial da Bielorrússia. Moscovo e Minsk realizaram exercícios conjuntos com componentes nucleares, e a doutrina nuclear russa foi alterada para incluir explicitamente a defesa do aliado. Do lado ocidental, a NATO aumentou a sua atividade de treino no flanco leste. Em Lisboa, analistas observam que a escalada retórica e militar no espaço pós-soviético reacende preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do continente europeu. Em Brasília, diplomatas sublinham que o acirramento das ameaças nucleares contraria os apelos históricos do Brasil por distensão e reforça a necessidade de reativar canais de diálogo multilateral, tema sensível na presidência brasileira do BRICS.
Até ao momento, fontes de inteligência ocidentais e ucranianas citadas na reportagem não detetam preparativos para uma ofensiva terrestre imediata a partir da Bielorrússia, mas confirmam que a Rússia está a instalar uma rede de estações de controlo de drones no país. As negociações decorrem sobretudo entre Lukashenko e o embaixador russo em Minsk, Boris Gryzlov, com a ameaça de Moscovo restringir o apoio financeiro vital para a economia bielorrussa caso não haja cooperação. O dossiê permanece em aberto, com a Ucrânia a ser forçada a manter forças consideráveis ao longo da sua fronteira norte, enquanto as potências ocidentais avaliam se os incentivos diplomáticos a Minsk serão suficientes para travar uma expansão do conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Moscou reafirma o seu dever de defender a Bielorrússia como Estado da União contra ameaças diretas, quase ou potenciais. A parceria abrange prosperidade económica e defesa conjunta, e qualquer destacamento nuclear perto das fronteiras comuns será considerado uma ameaça imediata que exige contramedidas compensatórias.
O Kremlin está a aumentar a pressão sobre Minsk para abrir uma nova frente contra a Ucrânia, usando o território bielorrusso como plataforma de lançamento de drones e infraestrutura militar. Com a sua própria ofensiva a estagnar, Moscovo procura forçar Kiev a dispersar as suas defesas, ao mesmo tempo que exerce alavancagem económica e política sobre Lukashenko.
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