
Bagnaia encerra ciclo histórico na Ducati e abre novo tabuleiro no MotoGP
O adeus do italiano após oito temporadas e dois títulos mundiais desencadeia uma dança de pilotos que levará Pedro Acosta à equipa de fábrica e o próprio Bagnaia à Aprilia em 2027.
O desfecho era aguardado nos bastidores, mas nem por isso o anúncio oficial deixou de provocar um abalo sísmico no Mundial de MotoGP. A Ducati Corse confirmou na quarta-feira, 24 de junho, que Francesco “Pecco” Bagnaia deixará a equipa de fábrica no final da temporada de 2026, encerrando uma parceria de oito anos que redefiniu a história da marca de Borgo Panigale. Minutos depois, o piloto italiano publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais: “Eras o meu sonho e tornaste-te a realidade mais bela que alguma vez conheci. Sinto a necessidade de recomeçar com um novo desafio”.
A trajetória de Bagnaia com a Desmosedici GP começou em 2019, na equipa satélite Pramac, e ganhou corpo com a promoção à estrutura oficial em 2021. Sob a orientação técnica de Gigi Dall’Igna, o discípulo de Valentino Rossi devolveu à Ducati um título de pilotos que escapava desde 2007, quando Casey Stoner conquistara o único cetro da casa. Bagnaia foi campeão em 2022 e repetiu a dose em 2023, acumulando 31 vitórias, 63 pódios e 28 pole positions — números que o tornam o piloto mais bem-sucedido da história da fábrica italiana. Contudo, a chegada de Marc Márquez à garagem vermelha em 2025 alterou a dinâmica interna: o espanhol venceu o campeonato com autoridade, enquanto Bagnaia terminou em quinto, 257 pontos atrás do companheiro. Na presente temporada, ocupa a sétima posição, com apenas um triunfo em corrida sprint.
A separação é o primeiro dominó de uma remodelação profunda do plantel, impulsionada pela introdução dos novos motores de 850 cc em 2027. A Ducati agiu rapidamente: um dia antes, renovara com Márquez até 2028 e, poucas horas depois do adeus de Bagnaia, oficializou a contratação de Pedro Acosta por duas temporadas. O jovem espanhol, campeão de Moto3 e Moto2, deixa a KTM para formar dupla com o hexacampeão. Na imprensa italiana, a operação é lida como uma aposta na continuidade da hegemonia técnica da Ducati, enquanto analistas espanhóis sublinham a ascensão meteórica de Acosta ao posto mais cobiçado do pelotão. Já os meios do Sudeste Asiático, como os indonésios e malaios, destacam o efeito surpresa junto a uma base de fãs que via Bagnaia como símbolo da ressurgência da marca.
O destino de Bagnaia, por sua vez, desenha-se na Aprilia, onde deverá partilhar a box com Marco Bezzecchi a partir de 2027, ocupando a vaga deixada por Jorge Martín — este, por seu turno, é apontado à Yamaha. As movimentações confirmam uma temporada de “silly season” particularmente intensa, com as fábricas a reposicionarem-se para o novo regulamento. Apesar da separação, o tom entre as partes foi de gratidão mútua. O CEO Claudio Domenicali classificou Bagnaia como “protagonista dos capítulos mais memoráveis” da Ducati, enquanto Dall’Igna recordou a “centelha imediata” que uniu piloto e equipa.
Resta agora a Bagnaia cumprir o calendário até ao GP da Comunidade Valenciana, o último de vermelho, antes de abraçar o projeto de Noale. Para a Ducati, o futuro imediato passa por integrar Acosta e defender o título com Márquez, num ambiente em que a pressão por resultados se mantém máxima. O tabuleiro de 2027 ganha assim os seus primeiros contornos nítidos, com a promessa de uma grelha renovada e de novas rivalidades.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após oito anos de triunfos, a parceria entre a Ducati e Francesco Bagnaia chega ao fim no final de 2026. A fabricante de Borgo Panigale celebra os dois títulos mundiais e as 31 vitórias que recolocaram a marca no topo da MotoGP, enquanto se prepara para receber novos talentos como Pedro Acosta. Uma despedida repleta de gratidão e visão estratégica.
A Ducati confirmou que Francesco Bagnaia deixará a equipe no final de 2026, uma movimentação já esperada no paddock. Após oito anos, dois títulos e 31 vitórias, o piloto italiano abre caminho para a chegada de Pedro Acosta da KTM. A separação, anunciada sem tom emocional, segue uma lógica de renovação técnica.
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