
Descoberta na Austrália: aranha tece armadilha de seda como catapulta para caçar formiga agressiva
Mecanismo de mola lança a presa com aceleração quinze vezes superior à força G extrema de pilotos de caça, revela estudo publicado na Current Biology.
Uma nova espécie de aranha do gênero Propostira, encontrada na floresta tropical do norte de Queensland, na Austrália, desenvolveu uma estratégia de caça sem precedentes: constrói uma armadilha de seda em forma de cone que funciona como uma catapulta para capturar exclusivamente a formiga-tecelã-verde (Oecophylla smaragdina). A observação direta, realizada ao longo de dez noites por uma equipa internacional com câmaras de alta velocidade e infravermelhos, documentou que o mecanismo armazena energia elástica e a liberta subitamente, arremessando a formiga a mais de 30 centímetros de altura até à teia principal, com uma aceleração superior a 1300 metros por segundo quadrado. O achado, publicado na revista Current Biology, representa o primeiro caso conhecido em que uma teia é projetada para uma única espécie de presa e o disparo é provocado pela própria presa, e não pelo predador.
A aranha, ainda sem nome científico formal e apelidada de “ballista” em alusão à arma de cerco romana, permanece durante o dia abrigada sob folhas, acima das rotas de forrageamento das formigas. Ao anoitecer, desce cerca de meio metro e fixa um ponto de ancoragem com um fio de seda. Em seguida, tece entre 15 e 60 linhas de tensão dispostas em feixe cónico, envolvendo a estrutura com uma seda mais fina, num processo que pode durar quatro horas. Quando a formiga morde o cone, o ponto de ancoragem solta-se e a armadilha dispara. Os investigadores suspeitam que a aranha impregna a estrutura com feromonas específicas para atrair e enfurecer apenas esta espécie de formiga, ignorando outras formigas noturnas libertadas nas proximidades durante os testes.
A especialização extrema intriga os aracnólogos. As formigas-tecelãs-verdes são territoriais, agressivas e dispõem de defesas químicas, além da capacidade de recrutar rapidamente centenas de companheiras de colónia. Para a maioria das aranhas, representam uma presa perigosa e incomum. A armadilha de mola resolve esse risco ao isolar um único indivíduo e transportá-lo para longe das rotas e dos ninhos, antes que possa emitir sinais de alarme. Na perspetiva dos investigadores australianos, o sistema ilustra uma densidade de potência instantânea notável, comparável à exigida para vencer as almofadas adesivas que as formigas possuem nas patas.
O próximo passo científico será a descrição taxonómica formal da espécie e a análise laboratorial das propriedades mecânicas e químicas da seda, incluindo a eventual identificação das feromonas utilizadas. O estudo de campo já concluído fornece uma base sólida para investigar como pressões ecológicas extremas podem conduzir a soluções biomecânicas igualmente extremas, com potencial interesse para a biomimética aplicada a materiais e sensores.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma nova espécie de aranha aterrorizante foi descoberta na floresta tropical australiana. Ela tece uma armadilha de mola que lança sua presa a velocidades comparáveis às de um caça a jato. Este método de caça único é ao mesmo tempo assustador e fascinante.
Uma nova aranha apelidada de 'balista' em homenagem à arma romana foi descoberta em Queensland. Ela tece uma armadilha de mola sofisticada para capturar uma única espécie de formiga, demonstrando especialização extrema. A pesquisa internacional foi publicada na Current Biology.
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