
AirAsia cancela rotas diretas para Singapura e Banguecoque, mas ensaia redução de tarifas com trégua no petróleo
Queda do combustível após acordo entre EUA e Irão permite à companhia baixar preços, mas analistas alertam que a indústria global pode reter a poupança para recompor margens.
A AirAsia X cancelou os voos diretos de Jacarta para Singapura e Banguecoque, atribuindo a decisão a uma combinação de otimização de rede, procura afetada por conflitos geopolíticos e custos operacionais elevados. O presidente do grupo, Bo Lingam, detalhou que a rota para Singapura se tornou inviável sobretudo devido à taxa aeroportuária de 72 dólares de Singapura no aeroporto de Changi, valor que supera a própria tarifa aérea. A ligação para Banguecoque deverá ser reativada dentro de alguns meses, enquanto as rotas domésticas na Indonésia foram menos afetadas.
A suspensão ocorreu num momento de forte volatilidade do combustível de aviação. O barril de jet fuel disparou acima de 240 dólares em março com o agravamento das tensões no Médio Oriente, mas recuou para cerca de 112 dólares após o acordo de paz preliminar entre Washington e Teerão. A AirAsia X respondeu com uma redução tarifária de 5% a 15 de junho e promete revisões semanais à medida que o custo do querosene baixar. Contudo, observadores em Lisboa e São Paulo notam que a indústria global pode não transferir integralmente a poupança aos passageiros. Nos Estados Unidos, as tarifas subiram menos do que o combustível, e companhias como a United Airlines projetam recuperar 100% do aumento de custos via preços até ao final do ano, aproveitando a capacidade restrita para reconstruir margens.
No Sudeste Asiático, a AirAsia X está a devolver 12 aeronaves com 16 a 17 anos de serviço e a receber aviões mais eficientes, como o Airbus A321LR, para rotas de médio curso. A empresa espera restaurar a maior parte da capacidade reduzida até agosto, mas rotas deficitárias sem procura não serão retomadas. Lingam confirmou que a rota Jacarta–Singapura permanece bloqueada pelo custo aeroportuário, enquanto a ligação a Banguecoque poderá regressar gradualmente. A transportadora manteve uma taxa de ocupação de 83% entre janeiro e maio, apesar de perdas de 150 milhões de ringgit no primeiro trimestre.
Para os mercados lusófonos, o episódio ilustra um dilema partilhado. Companhias aéreas brasileiras, como Azul e Gol, e a TAP em Portugal enfrentam pressões semelhantes de combustível e capacidade, num contexto em que o querosene ainda custa 54% mais do que há um ano. A prioridade parece ser a recomposição de resultados, e não uma guerra tarifária. O próximo marco a observar será a evolução das tarifas e da capacidade da AirAsia X até agosto, bem como a trajetória do preço do jet fuel caso o acordo no Médio Oriente se consolide.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O acordo Irã-EUA derrubou o preço do combustível de aviação, mas as companhias aéreas usam a economia para recuperar seus balanços em vez de reduzir as tarifas. AirAsia corta alguns preços, mas as passagens continuarão caras porque a capacidade de assentos é limitada e as margens são priorizadas.
A redução das tensões no Oriente Médio após o acordo de paz EUA-Irã traz alívio à aviação com a queda do combustível. AirAsia corta tarifas semanalmente, mas no setor os preços das passagens podem não cair de imediato porque as companhias ainda se recuperam de perdas anteriores e a capacidade permanece limitada.
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