
Avanço diplomático entre EUA e Irã derruba petróleo e impulsiona bolsas emergentes
Mercados de Nairobi, Mumbai, Lagos e São Paulo registam ganhos expressivos, enquanto o Tesouro brasileiro cancela leilão de títulos para acalmar os juros.
O anúncio de um roteiro para um acordo final entre Estados Unidos e Irã em até 60 dias, mediado por Paquistão e Catar, provocou uma queda acentuada do petróleo e desencadeou uma onda de alívio nos mercados emergentes nesta segunda-feira. O barril de Brent recuou para a faixa dos 79 dólares, bem distante dos picos superiores a 126 dólares registados em maio, aliviando os temores inflacionários que vinham a pressionar as economias importadoras de energia.
Na África Oriental, a Bolsa de Nairóbi já havia capturado o otimismo na semana anterior, quando a perspetiva de reabertura do Estreito de Ormuz atraiu investidores estrangeiros de volta e elevou o valor de mercado das ações listadas a um recorde de 3,63 biliões de xelins quenianos. Em Mumbai, o índice Sensex subiu 0,38%, impulsionado por compras de estrangeiros e por gigantes como Reliance Industries e HDFC Bank. Lagos viu o mercado nigeriano ganhar 1,52 biliões de nairas, com os grandes bancos — GTCO, Zenith e FBN Holdings — a liderarem a recuperação após sessões de perdas.
No Brasil, o efeito externo somou-se a um fator doméstico decisivo. O Tesouro Nacional cancelou o leilão de títulos atrelados à inflação (NTN-B) previsto para terça-feira, sinalizando preocupação com a deterioração do mercado de renda fixa após uma decisão do Copom considerada confusa pelos investidores. A medida derrubou as taxas dos contratos de DI de longo prazo em mais de 20 pontos-base e fez o Ibovespa avançar 1,21%, com destaque para a forte alta dos bancos, como BTG Pactual e Itaú. O Banco Central também injetou liquidez no câmbio à vista por meio de uma operação combinada de venda de dólares e redução de swaps, reforçando a mensagem de estabilização.
Apesar do tom positivo, o alívio permanece condicionado à evolução das negociações. Teerã voltou a fechar o Estreito de Ormuz no sábado, alegando violações do entendimento preliminar, mas os mercados, por ora, concentram-se no calendário diplomático de 60 dias. No Brasil, a ata do Copom na terça-feira e a possibilidade de o Tesouro realizar leilões de recompra de títulos são os próximos marcos que podem confirmar ou reverter a trégua nos juros.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As bolsas de Nairobi e Lagos dispararam para máximas históricas com o progresso das conversações EUA-Irã, que acalmaram o petróleo e trouxeram de volta os investidores estrangeiros. Nairobi ganhou mais de 160 mil milhões de xelins numa semana, enquanto as ações nigerianas somaram 1,52 biliões de nairas numa única sessão, impulsionadas pelos títulos bancários e de telecomunicações. A reabertura do Estreito de Ormuz removeu um risco inflacionário chave, restaurando a confiança nos mercados subsaarianos.
Os mercados brasileiros encontraram alívio com a queda do petróleo e o cancelamento pelo Tesouro de um leilão de títulos indexados à inflação, acalmando os futuros de juros. O Ibovespa subiu mais de 1%, puxado pelos bancos, enquanto as ações da Petrobras foram pressionadas pelo petróleo mais barato. O movimento veio após uma decisão confusa do banco central ter abalado os investidores, e a intervenção do Tesouro sinalizou disposição para estabilizar o mercado de dívida pública.
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