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Energia e Climasegunda-feira, 22 de junho de 2026

Itália e Canadá aceleram planos nucleares enquanto Alemanha e Suécia enfrentam impasse climático

Roma aprovou projeto de lei para novas centrais e Ottawa divulgou estratégia para até dez reatores, contrastando com a paralisia reformista em Berlim e o recuo sueco nas metas de emissões.

A Câmara dos Deputados italiana aprovou, a 4 de junho, um projeto de lei sobre “energia nuclear sustentável”, abrindo caminho para a construção de novas centrais no país, que abandonou a fonte atómica após referendos em 1987 e 2011. No mesmo movimento, o Governo canadiano apresentou uma estratégia que prevê a instalação de até dez grandes reatores adicionais até 2050, com os dois primeiros previstos para 2035. Ambas as decisões refletem uma aposta renovada na energia nuclear como pilar da descarbonização e da segurança energética, num momento em que a procura de eletricidade deverá crescer de forma acentuada — em Itália, o consumo poderá saltar dos atuais 311 TWh para mais de 400 TWh em 2040.

Na perspetiva de Roma, o regresso ao átomo é justificado pela necessidade de cumprir as metas climáticas da União Europeia (neutralidade carbónica até 2050 e 42,5% de renováveis até 2030) e de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e dos riscos geopolíticos associados. O texto legislativo define os domínios dos futuros decretos governamentais, que incluem a construção e operação de centrais, a produção de hidrogénio por via nuclear e a gestão de resíduos. Ottawa, por seu lado, destaca a posição do Canadá como segundo maior produtor mundial de urânio e o peso do setor, que já sustenta 90 mil empregos e injeta 22 mil milhões de dólares canadianos por ano na economia. A estratégia canadiana aponta ainda para a duplicação das exportações de urânio até 2040 e para a atualização do reator CANDU, tecnologia nacional presente em nove reatores no exterior.

Este impulso contrasta com o ambiente político na Alemanha e na Suécia. Observadores em Berlim notam que a retórica reformista da coligação liderada por Friedrich Merz se esvaziou de credibilidade: 85% dos alemães não esperam resultados do Governo, e o termo “reforma” passou a soar mais como ameaça do que como promessa. Na Suécia, o Conselho de Política Climática concluiu que o país, outrora modelo internacional, falhará todas as metas climáticas com as políticas atuais, enquanto investimentos de centenas de milhares de milhões de coroas ficam retidos em processos de licenciamento lentos e imprevisíveis. A crítica da oposição sueca sublinha que as emissões aumentaram e que o Executivo perdeu capacidade de ação naquela que é descrita como a questão mais importante do tempo presente.

A nível global, estão em funcionamento 415 reatores nucleares e 73 em construção, quatro deles na Europa Oriental e dois no Reino Unido. A França e outros onze Estados-membros da UE mantêm o nuclear como espinha dorsal da produção elétrica de baixo carbono. Para Itália, o calendário aponta para as primeiras centrais em 2035 e uma frota alargada entre 2045 e 2050, enquanto o Canadá estima um custo superior a 100 mil milhões de dólares para os novos reatores, sem especificar ainda o modelo de financiamento. A oposição conservadora canadiana já manifestou ceticismo, afirmando que anúncios não constroem infraestrutura.

O próximo marco a observar será a publicação dos decretos de implementação em Itália, que deverão detalhar a governança, a segurança e a localização das centrais, bem como a criação de um depósito nacional de resíduos radioativos — uma lacuna reconhecida pelo próprio Governo. No Canadá, a estratégia prevê uma nova política federal de financiamento até abril de 2027 e a aceleração dos processos de licenciamento, centralizados na Comissão Canadiana de Segurança Nuclear. Para os países lusófonos, o debate permanece distante: Portugal não dispõe de centrais nucleares e aposta nas renováveis, enquanto o Brasil mantém o programa de Angra dos Reis sem planos de expansão de grande escala.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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PragmatismoUrgência

O Canadá aposta na energia nuclear como alavanca de crescimento econômico e segurança energética, planejando até dez novos reatores até 2050. A estratégia federal fala de um renascimento nuclear global, visando dobrar a produção de eletricidade e aproveitar oportunidades de exportação.

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A Itália corre contra o tempo para trazer a energia nuclear de volta à sua matriz energética, com a meta das primeiras usinas em uma década. O novo quadro legislativo é apresentado como uma escolha de bom senso para garantir emissões quase nulas, estabilidade da rede e independência dos combustíveis fósseis e de sua chantagem geopolítica.

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Itália e Canadá aceleram planos nucleares enquanto Alemanha e Suécia enfrentam impasse climático

Roma aprovou projeto de lei para novas centrais e Ottawa divulgou estratégia para até dez reatores, contrastando com a paralisia reformista em Berlim e o recuo sueco nas metas de emissões.

A Câmara dos Deputados italiana aprovou, a 4 de junho, um projeto de lei sobre “energia nuclear sustentável”, abrindo caminho para a construção de novas centrais no país, que abandonou a fonte atómica após referendos em 1987 e 2011. No mesmo movimento, o Governo canadiano apresentou uma estratégia que prevê a instalação de até dez grandes reatores adicionais até 2050, com os dois primeiros previstos para 2035. Ambas as decisões refletem uma aposta renovada na energia nuclear como pilar da descarbonização e da segurança energética, num momento em que a procura de eletricidade deverá crescer de forma acentuada — em Itália, o consumo poderá saltar dos atuais 311 TWh para mais de 400 TWh em 2040.

Na perspetiva de Roma, o regresso ao átomo é justificado pela necessidade de cumprir as metas climáticas da União Europeia (neutralidade carbónica até 2050 e 42,5% de renováveis até 2030) e de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e dos riscos geopolíticos associados. O texto legislativo define os domínios dos futuros decretos governamentais, que incluem a construção e operação de centrais, a produção de hidrogénio por via nuclear e a gestão de resíduos. Ottawa, por seu lado, destaca a posição do Canadá como segundo maior produtor mundial de urânio e o peso do setor, que já sustenta 90 mil empregos e injeta 22 mil milhões de dólares canadianos por ano na economia. A estratégia canadiana aponta ainda para a duplicação das exportações de urânio até 2040 e para a atualização do reator CANDU, tecnologia nacional presente em nove reatores no exterior.

Este impulso contrasta com o ambiente político na Alemanha e na Suécia. Observadores em Berlim notam que a retórica reformista da coligação liderada por Friedrich Merz se esvaziou de credibilidade: 85% dos alemães não esperam resultados do Governo, e o termo “reforma” passou a soar mais como ameaça do que como promessa. Na Suécia, o Conselho de Política Climática concluiu que o país, outrora modelo internacional, falhará todas as metas climáticas com as políticas atuais, enquanto investimentos de centenas de milhares de milhões de coroas ficam retidos em processos de licenciamento lentos e imprevisíveis. A crítica da oposição sueca sublinha que as emissões aumentaram e que o Executivo perdeu capacidade de ação naquela que é descrita como a questão mais importante do tempo presente.

A nível global, estão em funcionamento 415 reatores nucleares e 73 em construção, quatro deles na Europa Oriental e dois no Reino Unido. A França e outros onze Estados-membros da UE mantêm o nuclear como espinha dorsal da produção elétrica de baixo carbono. Para Itália, o calendário aponta para as primeiras centrais em 2035 e uma frota alargada entre 2045 e 2050, enquanto o Canadá estima um custo superior a 100 mil milhões de dólares para os novos reatores, sem especificar ainda o modelo de financiamento. A oposição conservadora canadiana já manifestou ceticismo, afirmando que anúncios não constroem infraestrutura.

O próximo marco a observar será a publicação dos decretos de implementação em Itália, que deverão detalhar a governança, a segurança e a localização das centrais, bem como a criação de um depósito nacional de resíduos radioativos — uma lacuna reconhecida pelo próprio Governo. No Canadá, a estratégia prevê uma nova política federal de financiamento até abril de 2027 e a aceleração dos processos de licenciamento, centralizados na Comissão Canadiana de Segurança Nuclear. Para os países lusófonos, o debate permanece distante: Portugal não dispõe de centrais nucleares e aposta nas renováveis, enquanto o Brasil mantém o programa de Angra dos Reis sem planos de expansão de grande escala.

Divergência das fontes

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O Canadá aposta na energia nuclear como alavanca de crescimento econômico e segurança energética, planejando até dez novos reatores até 2050. A estratégia federal fala de um renascimento nuclear global, visando dobrar a produção de eletricidade e aproveitar oportunidades de exportação.

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A Itália corre contra o tempo para trazer a energia nuclear de volta à sua matriz energética, com a meta das primeiras usinas em uma década. O novo quadro legislativo é apresentado como uma escolha de bom senso para garantir emissões quase nulas, estabilidade da rede e independência dos combustíveis fósseis e de sua chantagem geopolítica.

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