
ONU exige transparência total sobre custo ambiental da inteligência artificial
Secretário-geral lança iniciativa para que empresas de IA divulguem consumo de energia, água e terra e migrem para renováveis até 2030, enquanto centros de dados já consomem mais eletricidade que a maioria dos países.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou esta semana a Iniciativa de Transparência Ambiental da IA, exigindo que as empresas do setor meçam e divulguem publicamente o impacto dos seus centros de dados no consumo de água, nas emissões de carbono e no uso do solo. A medida surge num momento em que a infraestrutura digital já consome 448 terawatts-hora (TWh) de eletricidade por ano — volume que, se fosse um país, a colocaria no 11.º lugar do ranking mundial, imediatamente atrás da França. Até 2030, segundo projeções da ONU, esses centros poderão ultrapassar o consumo energético de todas as nações exceto cinco, e utilizar água suficiente para suprir as necessidades básicas de 1,3 mil milhões de pessoas na África subsariana durante um ano.
A iniciativa determina que as empresas de inteligência artificial publiquem dados padronizados sobre a sua pegada ambiental e se comprometam a abastecer todas as instalações exclusivamente com energia renovável até ao final da década. Atualmente, o setor apoia-se em compromissos voluntários de zero emissões líquidas e metas de eletricidade limpa, mas várias companhias têm também recorrido ao gás natural ou promovido a energia nuclear para novos projetos. Guterres afirmou que "se a IA deve ajudar a construir um futuro melhor, tem de ser honesta sobre o que nos custa agora", num discurso durante a Semana de Ação Climática de Londres, em plena onda de calor na Europa ocidental, com recordes em França e alertas vermelhos em Itália.
O apelo à transparência insere-se numa ofensiva mais ampla contra a dependência de combustíveis fósseis. O secretário-geral lançou também um apelo à ação sobre o metano, gás responsável por cerca de um terço do aquecimento global atual, instando as petrolíferas a reparar fugas, eliminar a queima rotineira e adotar uma norma global baseada na ciência. Defendeu ainda a tributação dos lucros extraordinários das grandes empresas de energia, com a receita a ser canalizada para comunidades vulneráveis e para a transição energética. Em Brasília, a expansão de centros de dados em hubs como Fortaleza e São Paulo pode ver os licenciamentos ambientais influenciados pela nova exigência de transparência. Em Lisboa, a meta de 100% de renováveis até 2030 alinha-se com a trajetória portuguesa, que já detém uma das maiores fatias de fontes limpas na matriz elétrica europeia. Em Luanda, o apelo à redução do metano pressiona a indústria petrolífera angolana, que busca equilibrar produção de hidrocarbonetos e compromissos climáticos.
Guterres anunciou que convocará líderes mundiais em setembro, antes da COP31 na Turquia, para impulsionar uma "transição justa" que afaste a economia global dos combustíveis fósseis. A resposta das empresas de IA à iniciativa de transparência e a evolução dos compromissos de redução de metano serão os próximos marcos a observar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ONU alerta que os centros de dados de IA consomem mais eletricidade do que a maioria dos países e insta as empresas a revelarem o custo ambiental total e a acabarem com os custos ocultos. Chegou a hora de dizer toda a verdade e mudar para energias renováveis até 2030, enquanto a Europa enfrenta ondas de calor.
O chefe da ONU exige que os gigantes da IA revelem o verdadeiro custo climático dos seus centros de dados, culpando os combustíveis fósseis pelas crises energética e climática. Insiste que o fardo não deve mais recair sobre os mais vulneráveis e que o tempo dos custos ocultos acabou, enquanto a Europa sufoca sob uma onda de calor.
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