
Putin vincula negociações com Ucrânia a acordos de 2022, cimeira de Ancorage e avanços militares
Presidente russo afirma que Moscovo está pronta para conversações com base nos documentos rubricados em Istambul, nas modalidades discutidas com Trump e nos ganhos territoriais no terreno.
O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou esta segunda-feira que a Rússia está disposta a retomar negociações de paz com a Ucrânia, desde que assentes em três pilares: os acordos rubricados em Istambul em 2022, as “modalidades” debatidas na cimeira de Ancorage com Donald Trump em agosto de 2025 e as “realidades no terreno”, além dos princípios enunciados por si no Ministério dos Negócios Estrangeiros em 2024. A declaração, divulgada pelas agências russas durante uma reunião com membros do governo, ocorre num momento em que as forças de Moscovo continuam a registar avanços no leste da Ucrânia e Kiev procura demonstrar capacidade ofensiva com ataques a infraestruturas civis.
Segundo fontes do Kremlin, os acordos de Istambul previam um estatuto de neutralidade permanente para a Ucrânia e a renúncia à adesão à NATO, tendo sido rubricados pela delegação ucraniana então chefiada por David Arakhamia. Moscovo sustenta que Kiev os abandonou sob pressão do então primeiro-ministro britânico Boris Johnson — versão que tanto Johnson como o Presidente Volodymyr Zelensky rejeitam, atribuindo o fracasso à ausência de garantias de segurança internacionais e à desconfiança face à Rússia. Em Ancorage, de acordo com informações recolhidas pela Reuters junto de fontes próximas do Kremlin, Putin e Trump terão esboçado uma “fórmula” que passaria pela passagem de todo o Donbass para controlo russo e pelo congelamento da linha da frente nas regiões de Zaporíjia e Kherson. Já o discurso de 2024 no MID exigia a retirada total das tropas ucranianas das quatro regiões anexadas pela Rússia dentro das suas fronteiras administrativas, o reconhecimento internacional desses territórios como russos e a renúncia à NATO.
Na perspetiva de analistas em Bruxelas e em Kiev, a combinação destas três bases equivale à reiteração de exigências maximalistas que o governo ucraniano e as capitais europeias têm rejeitado de forma consistente. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, classificou entretanto uma proposta de cessar-fogo ao longo da atual linha de contacto, apresentada por Emmanuel Macron, Keir Starmer e Friedrich Merz, como um “pedido de capitulação”, sinalizando que Moscovo não aceitará uma suspensão das hostilidades que não consagre os seus ganhos territoriais. Em Kiev, a administração Zelensky tem reiterado que qualquer acordo deve prever a retirada das forças russas e garantias de segurança vinculativas, posição que contrasta frontalmente com a exigência russa de reconhecimento das anexações.
As últimas conversações diretas entre Moscovo e Kiev, mediadas pelos Estados Unidos, decorreram em Abu Dhabi em fevereiro, com delegações chefiadas por altos responsáveis militares e de segurança, sem avanços públicos. A Turquia já se ofereceu para acolher novas rondas negociais, mas não há calendário definido. No terreno, Putin afirmou que as incursões ucranianas contra infraestruturas civis não alteram a dinâmica do campo de batalha, onde as tropas russas “avançam todos os dias”, e que Kiev apenas tenta “criar a impressão de posições fortes” para uma eventual retoma das conversações. O impasse diplomático persiste, com as partes a falarem a partir de pontos de partida que permanecem inconciliáveis.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Moscou sinaliza disposição para negociar com base nos acordos de Istambul já rubricados por Kiev, combinados com as modalidades discutidas em Anchorage e a realidade no terreno. As tentativas de Kiev de projetar força são descartadas como encenação, enquanto se destaca o avanço diário das forças russas. O Kremlin não vê razão para se afastar de termos que a própria delegação ucraniana havia considerado aceitáveis.
O presidente russo Putin afirmou que Moscou está pronta para negociar com a Ucrânia com base nos acordos de Istambul. A notícia é transmitida de forma concisa, sem comentários ou análises adicionais.
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