
Arábia Saudita abre mercado imobiliário a estrangeiros e acelera expansão hoteleira
Com portal digital e regras aprovadas, Riade permite posse estrangeira de imóveis, enquanto projetos de luxo e parcerias espaciais reforçam metas da Visão 2030.
O Conselho de Ministros saudita aprovou a 23 de junho as áreas geográficas e a regulamentação executiva da lei de propriedade imobiliária para não sauditas, em vigor desde janeiro de 2026. Simultaneamente, a Autoridade Geral do Imobiliário (REGA) ativou o portal "Saudi Properties", canal digital oficial para submissão de pedidos. A medida conclui a arquitetura legislativa que substitui o regime restritivo de 2000, permitindo a pessoas singulares, empresas e fundos estrangeiros adquirir imóveis em zonas delimitadas de Riade, Jeddah e outras cidades, com exceções para Meca e Medina — onde a posse é reservada a muçulmanos e a sociedades sauditas com capital estrangeiro. As transações ficam sujeitas à taxa de 5% sobre o valor do imóvel, acrescida de um encargo adicional até 5%, e preveem multas que podem atingir 10 milhões de riais (cerca de 2,7 milhões de dólares) em casos de informação fraudulenta.
A abertura regulatória insere-se na estratégia de atração de investimento direto estrangeiro da Visão 2030. Residentes estrangeiros podem candidatar-se com o número de residência; não residentes necessitam de identidade digital emitida por missões diplomáticas sauditas, e empresas sem presença local devem registar-se no Ministério do Investimento através da plataforma "Invest Saudi". Observadores em Riade sublinham que a digitalização do processo e a clareza das zonas permitidas visam reforçar a credibilidade do mercado, num momento em que o setor hoteleiro de luxo regista forte dinamismo.
Dois projetos ilustram essa dinâmica. O grupo britânico Cheval Collection e a Ladun Investment Company concluíram o conceito do Cheval Maison Sulaymaniyah, empreendimento de 134 apartamentos com serviços em Riade, cuja construção arranca no primeiro trimestre de 2027. Em paralelo, a promotora local Blacksand e a Marriott International assinaram um acordo para desenvolver dez hotéis de marcas como St. Regis, Moxy e Residence Inn, com mais de 1.300 quartos e abertura faseada até 2030, gerando 6.000 empregos, 60% dos quais reservados a cidadãos sauditas. Na perspetiva latino-americana, a Arábia Saudita também diversifica parcerias: uma reunião de alto nível com a Guatemala abriu conversações para financiamento de infraestrutura, agricultura e energia solar através do Fundo Saudita para o Desenvolvimento.
No plano tecnológico, o mesmo conselho de ministros aprovou o primeiro projeto conjunto de satélite com o Egito, sinalizando cooperação espacial regional ainda sem detalhes técnicos divulgados. O contexto macroeconómico é reforçado pela subida do reino ao 13.º lugar no Anuário de Competitividade Mundial de 2026 e pela manutenção da liderança global em cibersegurança pelo terceiro ano consecutivo. O próximo marco a acompanhar é a abertura dos primeiros hotéis da parceria Marriott-Blacksand em Riade e o início das obras do Cheval Maison Sulaymaniyah, enquanto o portal "Saudi Properties" testa o apetite real dos investidores estrangeiros.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa do Golfo celebra a abertura como um marco triunfal da transformação econômica saudita, atraindo capital e expertise estrangeiros para o setor imobiliário. Os grandes projetos hoteleiros já em andamento sinalizam a confiança dos investidores e a ascensão do Reino como destino global de luxo e negócios.
A mídia latino-americana enquadra a Arábia Saudita como um parceiro global disposto a investir capital e tecnologia de ponta na região. O acordo com a Guatemala é retratado como um modelo de cooperação que pode transformar um país em potência mundial, abrindo uma nova era de oportunidades bilaterais.
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