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Sociedade & Culturasábado, 4 de julho de 2026

Na rota argentina, o silêncio elétrico; no mundo, a cacofonia dos SUVs

Num só fim de semana, o mundo automóvel viu a Toyota apostar no híbrido flex no Brasil, no diesel na Índia e no plug-in na Argentina, enquanto a Lamborghini revelava um super-SUV de 812 cv e a Changan oferecia na Indonésia um elétrico com gerador a gasolina.

Sob o sol morno de um domingo argentino, o jornalista Matías Antico acelerou a nova Toyota RAV4 por uma estrada de asfalto ondulado. O ponteiro do velocímetro subiu enquanto o silêncio do modo elétrico preenchia a cabine. Eram os primeiros quilómetros do ensaio que o programa TN Autos dedicou à quinta geração do SUV, recém-chegada ao mercado portenho com motorização híbrida plug-in de 329 cavalos e uma promessa: 142 quilómetros de autonomia sem consumir uma gota de gasolina.

A poucos milhares de quilómetros dali, em São Paulo, a mesma fabricante nipônica apresentava a linha 2027 do Corolla Cross, o utilitário que disputa o segmento com o Jeep Compass e os novos concorrentes chineses. Sem cerimônia televisiva, a novidade ganhou as concessionárias com preços a partir de R$ 194.790, um visual renovado na versão GR Sport e, pela primeira vez, monitoramento de pressão dos pneus de série em toda a gama. Sob o capô, mantém-se a flexibilidade do motor 2.0 aspirado de 175 cv e, no topo híbrido, um sistema que dispensa a tomada – rota que, segundo analistas do setor no Brasil, representa uma via distinta de eletrificação, ancorada no etanol e na infraestrutura já instalada.

A lógica do diesel, porém, domina outro lançamento da marca no subcontinente indiano. A nova Toyota Hilux, que chega à Índia até 28 de janeiro, abandona qualquer miragem elétrica: mantém o motor a gasóleo, agora associado a uma direção elétrica e a um habitáculo de inspiração Land Cruiser Prado, num aceno à durabilidade que o mercado local – e muitos países africanos – ainda exige. Do outro lado do espectro, em Jacarta, a chinesa Changan respondeu com o Deepal S05, um SUV que poderá ser adquirido na versão 100% elétrica ou com um gerador a gasolina que prolonga a autonomia (range extender). Na perspetiva de analistas do Sudeste Asiático, a estratégia reflete a heterogeneidade das infraestruturas de recarga e das políticas de incentivo que, na região, convivem com metas ambiciosas de eletrificação.

Na Europa, o tempo parecia suspenso durante a revelação do Lamborghini Urus SE Performante, um super-SUV híbrido plug-in que esculpiu 32 quilos de fibra de carbono para chegar aos 812 cv de potência combinada e a uma aceleração de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos. Capaz de percorrer 60 quilómetros em modo elétrico, o modelo ilustra, de acordo com observadores do Velho Continente, a forma como a alta performance se reconcilia com a eletrificação – não apenas por imperativo ideológico, mas porque os próprios limites físicos dos motores de combustão o exigem.

Quando Antico estacionou a RAV4 à porta do estúdio, o conta-quilómetros marcava exatamente 142 quilómetros em modo elétrico – a mesma distância que separa Buenos Aires de Rosário, ou os arrabaldes de Bombaim do sopé dos Gates Ocidentais. Naquele silêncio de domingo, o zumbido dos pneus sobre o concreto resumia uma realidade: o futuro dos automóveis não é uma autoestrada única, mas uma vasta rede de trilhas que cada geografia desbrava com as ferramentas de que dispõe.

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sábado, 4 de julho de 2026

Na rota argentina, o silêncio elétrico; no mundo, a cacofonia dos SUVs

Num só fim de semana, o mundo automóvel viu a Toyota apostar no híbrido flex no Brasil, no diesel na Índia e no plug-in na Argentina, enquanto a Lamborghini revelava um super-SUV de 812 cv e a Changan oferecia na Indonésia um elétrico com gerador a gasolina.

Sob o sol morno de um domingo argentino, o jornalista Matías Antico acelerou a nova Toyota RAV4 por uma estrada de asfalto ondulado. O ponteiro do velocímetro subiu enquanto o silêncio do modo elétrico preenchia a cabine. Eram os primeiros quilómetros do ensaio que o programa TN Autos dedicou à quinta geração do SUV, recém-chegada ao mercado portenho com motorização híbrida plug-in de 329 cavalos e uma promessa: 142 quilómetros de autonomia sem consumir uma gota de gasolina.

A poucos milhares de quilómetros dali, em São Paulo, a mesma fabricante nipônica apresentava a linha 2027 do Corolla Cross, o utilitário que disputa o segmento com o Jeep Compass e os novos concorrentes chineses. Sem cerimônia televisiva, a novidade ganhou as concessionárias com preços a partir de R$ 194.790, um visual renovado na versão GR Sport e, pela primeira vez, monitoramento de pressão dos pneus de série em toda a gama. Sob o capô, mantém-se a flexibilidade do motor 2.0 aspirado de 175 cv e, no topo híbrido, um sistema que dispensa a tomada – rota que, segundo analistas do setor no Brasil, representa uma via distinta de eletrificação, ancorada no etanol e na infraestrutura já instalada.

A lógica do diesel, porém, domina outro lançamento da marca no subcontinente indiano. A nova Toyota Hilux, que chega à Índia até 28 de janeiro, abandona qualquer miragem elétrica: mantém o motor a gasóleo, agora associado a uma direção elétrica e a um habitáculo de inspiração Land Cruiser Prado, num aceno à durabilidade que o mercado local – e muitos países africanos – ainda exige. Do outro lado do espectro, em Jacarta, a chinesa Changan respondeu com o Deepal S05, um SUV que poderá ser adquirido na versão 100% elétrica ou com um gerador a gasolina que prolonga a autonomia (range extender). Na perspetiva de analistas do Sudeste Asiático, a estratégia reflete a heterogeneidade das infraestruturas de recarga e das políticas de incentivo que, na região, convivem com metas ambiciosas de eletrificação.

Na Europa, o tempo parecia suspenso durante a revelação do Lamborghini Urus SE Performante, um super-SUV híbrido plug-in que esculpiu 32 quilos de fibra de carbono para chegar aos 812 cv de potência combinada e a uma aceleração de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos. Capaz de percorrer 60 quilómetros em modo elétrico, o modelo ilustra, de acordo com observadores do Velho Continente, a forma como a alta performance se reconcilia com a eletrificação – não apenas por imperativo ideológico, mas porque os próprios limites físicos dos motores de combustão o exigem.

Quando Antico estacionou a RAV4 à porta do estúdio, o conta-quilómetros marcava exatamente 142 quilómetros em modo elétrico – a mesma distância que separa Buenos Aires de Rosário, ou os arrabaldes de Bombaim do sopé dos Gates Ocidentais. Naquele silêncio de domingo, o zumbido dos pneus sobre o concreto resumia uma realidade: o futuro dos automóveis não é uma autoestrada única, mas uma vasta rede de trilhas que cada geografia desbrava com as ferramentas de que dispõe.

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