
O lento nascimento de uma voz: Pierre Coffin e a reinvenção dos Minions
O criador das criaturas amarelas revela o processo meticuloso de dar vida aos personagens, enquanto o novo filme quebra recordes de crítica e se transforma num inesperado tributo ao cinema mudo.
No silêncio de um estúdio de gravação, Pierre Coffin repete sílabas sem sentido até encontrar a melodia exata. “O que faço com as vozes dos Minions é um processo dolorosamente lento de busca pelo ritmo certo”, confessou o animador franco-indonésio, que desde 2010 empresta a sua garganta a todas as criaturas amarelas da franquia. Para cada cena, Coffin testa inflexões, acrescenta um objeto cénico — um bastão que confere autoridade, por exemplo — e só depois grava a algaravia que o público reconhece instantaneamente. É um trabalho de ourivesaria cómica que, segundo o próprio, exige camadas sobrepostas de narrativa gestual e sonora para que, sem uma única palavra compreensível, se entenda quando um Minion perde o controlo ou se enche de esperança.
Essa mesma lógica de comunicação puramente física encontrou o seu cenário ideal em “Minions & Monstros”, que estreia em julho nos cinemas brasileiros e portugueses. O argumento, o primeiro escrito por Coffin para a saga, transporta os pequenos seres para a Hollywood dos anos 1920, onde se tornam estrelas acidentais do cinema mudo. A trama, revelada pela produção, mostra os Minions James e Henry a invadir um set de filmagem, a conquistar a indústria e, mais tarde, a tentar realizar o seu próprio filme de monstros — com consequências desastrosas quando as criaturas invocadas ganham vida. O pano de fundo permite que o estúdio Illumination preste homenagem a Charles Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, figuras cujo humor corporal ecoa diretamente na linguagem visual dos Minions.
A receção da crítica especializada surpreendeu. O agregador Rotten Tomatoes registou 93% de aprovação nas primeiras 45 resenhas, a maior pontuação de toda a franquia “Meu Malvado Favorito”, cujos capítulos anteriores oscilavam entre os 55% e os 75%. Analistas norte-americanos notaram que o filme abandona a estrutura de esquetes soltas que marcava os antecessores e se assume como “um filme de verdade”, nas palavras do crítico Dan Murrell. A imprensa latino-americana, por sua vez, destacou o caráter de “declaração de amor ao cinema” e a maturidade de um guião que equilibra o entretenimento infantil com referências cinéfilas para adultos, desde “Casablanca” a “O Tubarão”.
No mercado lusófono, a estreia integra uma temporada de férias escolares que já conta com outros pesos-pesados da animação, como “Moana” e “Homem-Aranha: Um Novo Dia”. No Brasil, a versão dublada em português mantém a tradição de vozes locais, enquanto em Portugal o filme chega às salas no dia 1 de julho, distribuído pela Universal Pictures. A dimensão global da franquia — a primeira de animação a ultrapassar os cinco mil milhões de dólares em bilheteira — faz com que cada lançamento seja observado como termómetro do apetite das famílias pelo cinema em sala, sobretudo após a pandemia.
Resta a imagem de um Minion diante de uma câmara rudimentar dos anos 1920, gesticulando sem emitir uma única palavra compreensível e, ainda assim, arrancando gargalhadas. É o regresso a uma era em que o cinema falava apenas com o corpo, e a confirmação de que estas criaturas, nascidas da paciência obsessiva de um homem num estúdio, encontraram finalmente o seu lugar na história da imagem em movimento.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma nova estátua de dois Minions agora recebe os visitantes no tour de estúdio, marcando a expansão constante da franquia. O filme mais recente se junta a uma agenda de verão lotada de lançamentos para a família. A franquia encontra nova vida por meio de produção consistente e presença em parques temáticos.
Os Minions estão de volta com uma histórica avaliação de 93% no Rotten Tomatoes, e uma nova estátua no tour de estúdio celebra sua popularidade imparável. As criaturas amarelas estão dominando as bilheterias de inverno, trazendo caos e risadas para as famílias. A franquia encontra nova vida com este capítulo aclamado pela crítica.
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