
Piloto americano morto e avião incendiado na Papua: separatistas reivindicam ataque
O grupo armado TPNPB assumiu a autoria do ataque a uma aeronave civil em Yahukimo, que resultou na morte do piloto norte-americano Nicholas Goselin, enquanto as autoridades indonésias investigam o caso e tentam evacuar a área.
Um avião de carreira da empresa PT AMA, matrícula PK-RCY, foi incendiado na manhã de 2 de julho de 2026, minutos após aterrar na pista de Balinggama, no distrito de Sobaham, província de Papua das Montanhas. O piloto, o cidadão norte-americano Nicholas F. Goselin, foi dado como morto pelas autoridades aeronáuticas indonésias, que receberam a informação do chefe da unidade aeroportuária de Wamena. O porta-voz do Exército de Libertação Nacional da Papua Ocidental (TPNPB), Sebby Sambom, reivindicou a ação, afirmando que os combatentes dispararam contra o piloto e incendiaram a aeronave por esta ter violado a proibição de voos civis nas zonas que o grupo considera seu teatro de operações.
A posição oficial de Jacarta, expressa pela força-tarefa policial-militar Damai Cartenz, confirma o incêndio do aparelho, mas mantém em aberto a autoria e as circunstâncias exatas da morte do piloto. O Ministério dos Transportes relatou que a aeronave descolou de Wamena às 06h30 locais com sete passageiros, aterrou às 06h46 e, logo após o piloto comunicar a chegada, perdeu-se o contacto com o posto da pista. A polícia suspeita de envolvimento de “grupo criminoso armado” (KKB, na sigla indonésia), mas sublinha que só após a inspeção do local — adiada pelo mau tempo e pela altitude de 2.292 metros — será possível recolher provas. O TPNPB, por seu lado, descreveu o ataque como “uma mensagem” aos governos dos Estados Unidos e da Indonésia pelo que considera a incapacidade de resolver as causas profundas do conflito na Papua, e apelou a negociações internacionais mediadas pelas Nações Unidas.
O sucedido insere-se numa escalada de violência contra a aviação civil na região, vital para abastecer comunidades isoladas onde não existem estradas. Em fevereiro de 2023, o piloto neozelandês Phillip Mehrtens foi sequestrado e libertado após mais de um ano; em agosto de 2024, outro piloto neozelandês, Glen Conning, foi morto a tiro. A empresa AMA opera voos humanitários e de apoio religioso, e a polícia lamentou que o ataque prive a população local do único meio de ligação ao exterior. Observadores em Díli e em Lisboa notam que a repetição de incidentes com vítimas estrangeiras coloca pressão adicional sobre o governo de Prabowo Subianto, que tem reforçado a presença militar na Papua e rejeitado qualquer interlocução política com os grupos armados, classificando-os como organizações criminosas.
Até ao final do dia 2 de julho, a equipa de investigação não conseguira chegar ao terreno devido às condições meteorológicas. A força-tarefa Damai Cartenz preparava o envio de cerca de três pelotões para a manhã seguinte, com o objetivo de evacuar o corpo do piloto, verificar a situação dos passageiros e realizar a perícia. A embaixada dos Estados Unidos em Jacarta não se pronunciou publicamente. O dossiê permanece em fase de apuramento, com as autoridades indonésias a prometerem uma investigação “profissional e medida”, enquanto o TPNPB reitera que continuará a atacar aeronaves civis que considere estarem ao serviço das forças de segurança.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um grupo criminoso armado incendiou um avião usado para missões humanitárias na Papua, matando o piloto americano. As autoridades indonésias condenam o ataque como um ato bárbaro contra uma comunidade isolada que dependia dessa ligação aérea. As investigações estão em andamento e a recuperação do corpo é dificultada pelo mau tempo.
Separatistas papuas reivindicam a morte a tiros de um piloto americano e o incêndio de um avião civil, classificando o ataque como uma mensagem aos Estados Unidos e à Indonésia. O grupo acusa a aeronave de transportar tropas indonésias para uma zona de conflito. As autoridades indonésias ainda não confirmaram a morte do piloto.
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