
Starmer pede desculpas oficiais por adoções forçadas de filhos de mães solteiras
Primeiro-ministro britânico qualifica prática como 'mancha na nossa história' e anuncia acesso a registos e apoio psicológico para os afetados.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, apresentou esta quinta-feira um pedido formal de desculpas, em nome do Estado, pelo papel das instituições públicas nas adoções forçadas de bebés de mães solteiras entre 1949 e 1976. Perante o Parlamento, classificou o episódio como uma "mancha na nossa história" e declarou: "A vergonha nunca foi vossa, a vergonha é nossa". Estima-se que mais de 185 mil crianças tenham sido separadas das mães em Inglaterra e no País de Gales, muitas vezes sob coação, intimidação ou falsas promessas de um futuro melhor para os bebés. O ato contou com a presença de ativistas e sobreviventes na galeria da Câmara dos Comuns, alguns dos quais enxugaram lágrimas durante a declaração.
Segundo o governo trabalhista, a responsabilidade do Estado decorre do financiamento e da legitimação de sistemas que permitiram que autoridades locais, instituições religiosas e serviços de saúde e assistência social pressionassem mulheres jovens e vulneráveis a entregar os filhos. A antiga deputada Ann Keen, ela própria uma das mães afetadas, descreveu ter sido suturada sem anestesia após o parto e ouviu que se lembraria da dor por ter sido "uma menina má". Na perspetiva de ativistas que há décadas reivindicavam o reconhecimento oficial, o pedido de desculpas representa uma libertação de uma culpa que, afirmam, nunca lhes pertenceu. A Igreja de Inglaterra já se tinha desculpado duas semanas antes, e os governos autónomos da Escócia e do País de Gales fizeram o mesmo em 2023. O executivo conservador anterior recusara um pedido formal de desculpas, argumentando que o Estado não apoiara ativamente essas práticas.
Como parte do anúncio, Starmer comprometeu-se a facilitar o acesso aos registos de adoção e a disponibilizar apoio de saúde mental para mães e filhos afetados. A medida é vista por observadores em Londres como uma tentativa de reparação material após o reconhecimento simbólico. Um relatório do Comité Conjunto de Direitos Humanos do Parlamento britânico, em 2022, já recomendara um pedido de desculpas e responsabilizara o Estado pela "dor e sofrimento causados por instituições públicas e funcionários que forçaram mães a adoções indesejadas". O dossiê insere-se num movimento mais amplo de revisão de práticas históricas de separação familiar, que incluiu um pedido de desculpas nacional na Austrália em 2013.
Na Irlanda do Norte, a apresentação de um pedido de desculpas equivalente está condicionada à conclusão de um inquérito público, recomendado por um relatório de 2021 sobre instituições materno-infantis e lavandarias de Madalena. O governo britânico indicou que as medidas de apoio agora anunciadas serão implementadas nos próximos meses, enquanto as organizações de sobreviventes pressionam por um programa de reparação mais abrangente. O debate parlamentar que se seguiu à declaração de Starmer deverá dar lugar a propostas legislativas para garantir o acesso permanente aos arquivos e a criação de um mecanismo de escuta e compensação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O governo britânico pediu desculpas formais pelo escândalo histórico das adoções forçadas, classificando-o como uma mancha na história do país. O primeiro-ministro expressou profundo pesar às mães que foram coagidas a entregar seus filhos e anunciou medidas de apoio, incluindo melhor acesso aos registros de adoção e serviços de saúde mental.
Entre 1949 e 1976, cerca de 185 mil filhos de mães solteiras foram entregues para adoção na Inglaterra e no País de Gales. Após uma longa campanha das mães e adotados afetados, o primeiro-ministro britânico pediu desculpas, declarando que a vergonha é do Estado, não das mulheres. A declaração foi feita no parlamento após uma reunião com ativistas.
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