
Kim Jong-un promete laços mais fortes com a China após cimeira 'histórica' com Xi
Líder norte-coreano enviou mensagem a Xi Jinping no 105.º aniversário do Partido Comunista Chinês, reafirmando a aliança socialista e a cooperação estratégica bilateral.
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, comprometeu-se a aprofundar as relações com a China numa mensagem de felicitações enviada a 1 de julho ao Presidente Xi Jinping, por ocasião do 105.º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês (PCC). Segundo a agência estatal norte-coreana KCNA, Kim descreveu a recente cimeira de Pyongyang como uma “ocasião histórica” que reforçou a confiança e a amizade entre os dois dirigentes, e classificou o desenvolvimento contínuo dos laços bilaterais como uma “posição firme” do partido e do governo. Em Pequim, Xi Jinping presidiu a uma cerimónia no Grande Palácio do Povo, onde condecorou membros exemplares do partido com a Medalha 1 de Julho e proferiu um discurso que, segundo a imprensa estatal chinesa, sublinhou o papel central do PCC no desenvolvimento e na estabilidade do país.
Na perspetiva de Pyongyang, a mensagem de Kim sublinha a centralidade do socialismo como núcleo da relação bilateral e a vontade de “desenvolver continuamente as relações de amizade e cooperação”, descritas como “riqueza comum dos povos dos dois países”. A cimeira de junho, a primeira visita de Xi à Coreia do Norte desde 2019, resultou na adoção do que os meios de comunicação norte-coreanos apelidaram de “plano de longo alcance” para as relações bilaterais, com compromissos de cooperação reforçada nas áreas diplomática, policial, militar, económica, comercial, agrícola, científica, sanitária e cultural. Observadores russos, citados pelo diário Kommersant, notam que o encontro serviu ainda para reafirmar o apoio mútuo à soberania e segurança de ambos os Estados, num contexto internacional descrito como complexo.
Apesar da aproximação militar significativa de Pyongyang a Moscovo — com o fornecimento de tropas e armamento para a guerra na Ucrânia —, a China permanece o parceiro económico dominante da Coreia do Norte, representando cerca de 98% do comércio externo do país em 2024, de acordo com dados do Ministério da Economia e Finanças da Coreia do Sul. O tratado de amizade sino-norte-coreano de 1961, que prevê assistência militar em caso de guerra, continua a ser invocado como pilar da relação, embora analistas em Seul assinalem que Pequim tem procurado equilibrar o seu papel tradicional de patrono com apelos à estabilidade na península e uma posição de distanciamento face às sanções internacionais, defendendo uma flexibilização da sua monitorização.
Em Brasília, o governo acompanha com atenção o reforço dos laços sino-norte-coreanos, dado o papel do Brasil como parceiro estratégico da China nos BRICS e a presença de uma embaixada norte-coreana no país. Lisboa, que mantém relações diplomáticas com Pyongyang, observa com cautela o aprofundamento da cooperação militar entre a Coreia do Norte e a Rússia, enquanto parceiros lusófonos africanos, como Angola e Moçambique, com laços históricos com a China, monitorizam o realinhamento diplomático na península coreana. O estado do dossiê aponta para uma consolidação do eixo Pequim-Pyongyang, com a expectativa de novos intercâmbios de alto nível nos próximos meses, à medida que se aproxima o congresso do PCC que renovará a liderança para o próximo quinquénio.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Rússia acolhe favoravelmente a mensagem de Kim Jong-un ao Partido Comunista Chinês, reafirmando a estreita aliança estratégica entre Pyongyang e Pequim. Esse fortalecimento dos laços é visto como um contrapeso natural à hegemonia ocidental e um pilar da estabilidade regional. A medida confirma a continuidade da política externa norte-coreana alinhada com a China.
A mensagem de Kim Jong-un à China é lida como mais um sinal de alinhamento entre as potências anti-ocidentais. Em um contexto de tensões com os Estados Unidos, a medida fortalece o eixo da resistência, mas também levanta questões sobre as verdadeiras intenções de Pyongyang. A região do Oriente Médio observa atentamente, ciente de que cada movimento da China e da Coreia do Norte tem repercussões globais.
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