
Irão condiciona cumprimento do memorando com Washington à reciprocidade dos EUA
Presidente iraniano afirma que Teerão só honrará o acordo se a parte americana fizer o mesmo, enquanto divergências sobre o programa nuclear e a libertação de ativos congelados persistem.
O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, declarou na segunda-feira que o país cumprirá os compromissos assumidos no memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos a 18 de junho, desde que Washington também respeite integralmente as suas obrigações. A afirmação, publicada na rede social X, surge num momento de intensa atividade diplomática e de renovada tensão militar, depois de ambos os lados terem concordado em suspender temporariamente os ataques retaliatórios que se seguiram a um alegado ataque iraniano com drones contra um navio comercial no Estreito de Ormuz.
Na perspetiva de Teerão, o entendimento é uma via de dois sentidos e a sua continuidade depende da implementação recíproca das cláusulas iniciais, em particular as que dizem respeito à segurança marítima, às exportações de petróleo e à libertação de ativos iranianos congelados. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, sublinhou que a deslocação de uma delegação a Doha não configura uma nova ronda negocial, mas sim um acompanhamento técnico da aplicação do memorando, com destaque para o Artigo 11.º, relativo ao descongelamento de fundos. Em contraste, a Casa Branca e o Presidente Donald Trump descreveram o encontro na capital qatari como uma negociação sobre a desnuclearização do Irão, afirmando que Teerão teria solicitado a reunião e aceitado renunciar à arma nuclear — alegação que o governo iraniano rejeitou de imediato.
Analistas em Moscovo e em capitais europeias notam que o memorando de Islamabad, mediado pelo Paquistão e pelo Qatar, estabeleceu um quadro para desescalar um conflito que, em semanas, incluiu ataques aéreos dos EUA a infraestruturas de vigilância e defesa iranianas e retaliações da Guarda Revolucionária contra alvos militares norte-americanos no Kuwait e no Barém. O documento prevê um período de trinta dias para negociar um acordo abrangente, durante o qual se espera o alívio progressivo das restrições no Estreito de Ormuz e nos portos iranianos, bem como a suspensão de sanções. Contudo, fontes em Washington insistem que nenhum ativo foi ainda libertado e que qualquer transferência de fundos para fins humanitários ficará estritamente condicionada ao desempenho iraniano na execução do memorando.
O dossiê permanece aberto e frágil. Enquanto Pezeshkian anunciou que seis milhões de dólares de um total de doze mil milhões retidos no Qatar regressariam em breve a Teerão, os Estados Unidos negam qualquer movimentação financeira até ao momento. A próxima etapa concreta será a reunião técnica em Doha, centrada na verificação dos mecanismos de implementação, mas sem mandato para avançar para um acordo final. O sucesso desta fase inicial é apontado por diplomatas em Ancara e Nova Deli como determinante para a eventual discussão de temas mais vastos, como o programa nuclear iraniano e a arquitetura de segurança regional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irão condiciona o cumprimento do memorando à plena reciprocidade de Washington e alerta que não tolerará ameaças. A declaração surge num clima de tensão crescente antes do encontro de Doha, com Teerão a negar novas negociações.
O Irão honrará o acordo apenas se os Estados Unidos fizerem o mesmo, sublinhando a sua abordagem racional e digna perante as bravatas americanas. Teerão insiste que qualquer entendimento deve ser mútuo e baseado no respeito, rejeitando a retórica ameaçadora.
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