
Adoção de IA não reduz empregos, mas gigantes tecnológicas evitam US$ 50 bi em impostos
Estudo com 22 mil empresas dos EUA mostra que maiores investidoras em inteligência artificial expandiram contratações, enquanto Alphabet, Amazon e Meta deixaram de pagar quase US$ 50 bilhões em tributos.
Um estudo que acompanhou 22 mil empresas nos Estados Unidos entre 2021 e 2026 concluiu que as organizações com maior investimento em inteligência artificial aumentaram o número de funcionários em 10,2% nos dois anos seguintes à adoção da tecnologia, incluindo um crescimento de 12% nas contratações de nível inicial. A análise, realizada pelas empresas Ramp e Revelio Labs, indica que o setor de informação concentrou a maior parte dessa expansão. Paralelamente, um relatório do Climate and Community Institute revelou que a Alphabet, a Amazon e a Meta — três das empresas que mais expandem a infraestrutura de centros de dados para IA — deixaram de pagar 49,7 mil milhões de dólares em impostos no último ano, enquanto se comprometeram a investir 250 mil milhões de dólares em inteligência artificial e centros de dados.
Na Europa, o economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, afirmou que as sondagens mostram uma adoção “bastante rápida” da IA pelas empresas, sem sinais de cortes de emprego atribuíveis à tecnologia. A presidente do BCE, Christine Lagarde, mantém o tema sob atenção, mas o economista-chefe da OpenAI, Ronnie Chatterji, sublinhou que a exposição de uma tarefa à IA não significa a sua substituição, recordando como o computador pessoal complementou o trabalho do seu pai nos anos 1980. Na América Latina, o mercado de produtos digitais — impulsionado por ferramentas de IA — foi avaliado em 10,8 mil milhões de dólares em 2024 e poderá atingir 98 mil milhões em 2030, segundo dados apresentados no evento Hotmart Fire Sessions, em Medellín. Observadores em São Paulo notam que 67% das empresas brasileiras já consideram a IA uma prioridade estratégica, com a criação de conteúdo a liderar as aplicações (55,6%), de acordo com um levantamento da agência Bloomin.
Executivos de marketing reunidos no festival Cannes Lions, em França, defenderam que a democratização da produção de conteúdos pela IA transfere a vantagem competitiva para o discernimento humano. “Não se trata de sobrepor IA a processos existentes, mas de desenhar novos sistemas que combinem humanos e IA”, resumiu Dara Treseder, da Autodesk. Em África, o Gana lançou em abril de 2026 a sua Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, que projeta um contributo de 500 mil milhões de cedis (44 mil milhões de dólares) para o PIB até 2035 e a formação de 10 mil investigadores seniores e um milhão de jovens preparados para a IA até 2033. A estratégia aposta numa abordagem de produtor, e não apenas de consumidor, de tecnologia, com destaque para o processamento de línguas locais como o twi e o ga.
No ensino superior, universidades africanas e asiáticas debatem a adaptação curricular. A Southshore University College, em Acra, defendeu a transição para uma aprendizagem baseada em projetos e portefólios, enquanto na Indonésia a UNESCO alertou para a necessidade de um uso responsável da IA que preserve a integridade académica. O próximo marco a observar será a execução dos fundos nacionais de IA, como o do Gana, que parte de um investimento inicial de 5 mil milhões de cedis, e a evolução dos dados de produtividade nas economias que mais adotam a tecnologia, ainda sem reflexo consistente nos ganhos de eficiência empresarial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A adoção da IA está criando mais empregos do que elimina, comprovando que os temores de desemprego em massa são infundados. O estudo destaca um saldo positivo de empregos, impulsionado por novas funções na gestão e desenvolvimento de sistemas inteligentes.
O estudo ignora a realidade do Sul Global, onde a IA aprofundará as desigualdades e eliminará empregos sem proteções sociais adequadas. As grandes empresas de tecnologia manipulam dados para esconder os efeitos devastadores sobre os trabalhadores vulneráveis.
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