
Funeral de Ali Khamenei mobiliza milhões e expõe incógnita sobre saúde do sucessor
Cerimônias entre 4 e 9 de julho reúnem delegações estrangeiras, enquanto dúvidas sobre o estado de Mojtaba Khamenei e apelos da oposição no exílio marcam o evento.
O funeral do antigo Líder Supremo iraniano, ayatollah Ali Khamenei, decorrerá entre 4 e 9 de julho, com procissões em Teerão e Qom e sepultamento em Mashhad, cidade natal do clérigo. Autoridades iranianas estimam a participação de até 20 milhões de pessoas, o que poderá superar as cerimónias de 1989 por Ruhollah Khomeini. O evento, adiado desde a morte de Khamenei a 28 de fevereiro num ataque aéreo conjunto dos EUA e de Israel, foi reagendado após a assinatura de um memorando de cessar-fogo digital entre Washington e Teerão, num contexto de negociações de paz em curso na Suíça.
A atenção diplomática concentra-se na possível primeira aparição pública do novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, ferido no mesmo bombardeamento que vitimou o pai. A televisão estatal iraniana tem difundido comunicados atribuídos a Mojtaba, nos quais este apela à unidade nacional, ameaça manter o bloqueio do Estreito de Ormuz e instrui o poder judicial a perseguir legalmente os EUA e Israel por crimes de guerra. Contudo, fontes oficiais norte-americanas, incluindo os secretários Marco Rubio e Pete Hegseth, afirmam que o líder se encontra em coma, enquanto os meios de comunicação iranianos descrevem ferimentos graves e desfiguração facial, sem confirmar o seu estado atual. A ausência prolongada alimenta especulações sobre a verdadeira capacidade de governação do sucessor.
A dimensão internacional do funeral reflete-se nas delegações confirmadas e nos convites ainda por responder. O Paquistão anunciou a presença do Presidente Asif Ali Zardari e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif. A Índia, segundo fontes diplomáticas citadas pela imprensa local, enviará o ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros, Pabitra Margherita, e o governador de Bihar, Syed Ata Hasnain, mantendo-se em aberto a comparência do primeiro-ministro Narendra Modi, convidado pelo Presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Analistas em Nova Deli avaliam que a decisão de Modi constitui um teste à política externa indiana, dividida entre a tradicional relação com Teerão e a recente aproximação a Israel e Washington. O Iraque, por seu lado, coordena com o Irão cerimónias paralelas nas cidades sagradas xiitas de Najaf e Karbala.
Em contraponto, o príncipe herdeiro no exílio, Reza Pahlavi, apelou a uma “Semana Global de Ação por um Irão Livre” durante o funeral, instando os iranianos a manifestarem-se contra o regime e a honrarem as vítimas da repressão. Pahlavi classificou o memorando de entendimento entre os EUA e o Irão como “moralmente errado e estrategicamente desorientado”. A iniciativa surge num momento de fragilidade do cessar-fogo, após trocas de ataques no final de junho entre forças norte-americanas e iranianas na região do Golfo. O desfecho das cerimónias e a eventual visibilidade de Mojtaba Khamenei serão observados como indicadores da estabilidade da transição de poder em Teerão e do futuro das conversações de paz.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os preparativos para o funeral de Ali Khamenei decorrem em Teerão, Qom e Mashhad. O foco está na possível primeira aparição pública do seu filho Mojtaba, em meio a dúvidas sobre a sua saúde e a transição de liderança. Entretanto, Mojtaba apelou ao poder judicial para restaurar os direitos da nação contra os EUA e Israel, e emitiu um severo aviso ao Bahrein.
Enquanto o regime iraniano enterra o seu antigo líder supremo, o príncipe herdeiro no exílio apela a uma semana global de ação para expor os crimes do regime e honrar os heróis caídos da revolução. O funeral é apresentado como um momento para intensificar a pressão sobre a República Islâmica, acusada de massacrar manifestantes. A oposição pretende usar a ocasião para angariar apoio internacional a um Irão livre.
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