
Feminicídios em série: do DF à Índia, mulheres são mortas por parceiros ou conhecidos
Investigações em curso em diversos países revelam um padrão de violência de gênero, com vítimas frequentemente atacadas por companheiros ou ex-companheiros, em contextos de posse, ciúme ou disputas financeiras.
Uma série de mortes violentas de mulheres, em contextos domésticos ou de relações próximas, foi registrada em diferentes países nos últimos dias, com destaque para o Brasil, onde ao menos seis casos de feminicídio ou tentativa foram noticiados apenas nesta semana. Em Ceilândia, no Distrito Federal, um casal foi preso nesta sexta-feira (26) acusado de espancar até a morte Gabriela Benázio do Nascimento, de 35 anos, em 13 de maio, após uma disputa relacionada à venda de celulares de origem ilícita. A vítima foi agredida com socos, chutes e golpes de faca em via pública, vindo a falecer três dias depois no hospital. Os suspeitos, Guilherme Brandão Rodrigues e Thamella Jady Barbosa de Araújo Teixeira, ambos de 24 anos, foram indiciados por homicídio duplamente qualificado.
No Paraná, um subtenente da reserva do Exército, Júlio César Valteman, de 58 anos, foi preso em flagrante sob suspeita de matar a esposa, a escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, de 44 anos, com um tiro na cabeça. Ele alegou suicídio, mas a perícia apontou incompatibilidades, como a distância do disparo e a ausência de resíduos de pólvora no corpo da vítima. Em São Paulo, a Justiça condenou Danilo Henrique Gonçalves Francisco a 24 anos e seis meses de prisão por ter forjado um sequestro para matar a esposa, Vanessa Veroneze Francisco, em 2023. Já em Guaratinguetá, um homem foi preso no Ceará, acusado de assassinar a companheira de 24 anos; segundo a polícia, ele teria acessado contas bancárias da vítima após o crime. Em Santarém, no Pará, uma mulher sobreviveu a uma facada nas costas desferida pelo companheiro, que se irritou ao ser proibido de consumir bebida alcoólica em casa; o agressor foi localizado e detido. Em Itumbiara, Goiás, o companheiro de uma caixa de supermercado de 63 anos confessou tê-la enforcado e enviou áudios ameaçando a filha e o genro da vítima; ele permanece foragido.
Fora do Brasil, episódios semelhantes reforçam a dimensão global do problema. Na Itália, Alessio Tucci, de 20 anos, está a ser julgado pelo homicídio da ex-namorada Martina Carbonaro, de 14, morta a pedradas em Afragola, em maio de 2025; mensagens extraídas do telemóvel da vítima revelam que ela se confidenciava com um chatbot de inteligência artificial, pois não se sentia à vontade para partilhar o medo com familiares ou amigos. Em Deli, na Índia, um homem é procurado por ter disparado contra a mulher, Kavita, de 33 anos, após discussões motivadas por dificuldades financeiras e uma alegada relação extraconjugal. Na Nigéria, a polícia do estado do Delta deteve um homem depois de a namorada ter sido encontrada morta no seu apartamento. Na Argentina, Mario Andrés Cena foi condenado a prisão perpétua pelo feminicídio da cunhada, Vanesa Troncoso, de 22 anos, a quem já havia abusado sexualmente quando ela era criança.
Observadores em Brasília notam que a concentração de casos com características análogas — violência exercida por parceiros ou ex-parceiros, muitas vezes com requintes de crueldade e tentativas de ocultação — evidencia a persistência de estruturas de dominação e impunidade. Em vários dos episódios, os agressores tinham antecedentes criminais ou medidas protetivas anteriormente descumpridas, como no caso de Ceilândia, onde o homem já respondia por organização criminosa e roubo, e no de Itumbiara, onde o suspeito acumulava passagens por lesão corporal e ameaça. A diversidade geográfica dos relatos, que abrangem também a Europa, a Ásia e a África, indica que o feminicídio não é um fenômeno isolado, mas um desafio transversal a diferentes sistemas jurídicos e culturais.
As investigações prosseguem em todos os casos. No Brasil, a maioria dos suspeitos foi detida, mas alguns, como o autor do crime de Itumbiara e o atirador de Deli, continuam foragidos. As autoridades policiais e judiciais dos respetivos países trabalham na recolha de provas e na responsabilização dos acusados, enquanto as famílias das vítimas aguardam por justiça.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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