
Ex-chefe do partido escocês é condenado a cinco anos por desvio de fundos
Peter Murrell, ex-marido de Nicola Sturgeon, admitiu ter desviado mais de 400 mil libras; caso coincide com investigação a Nigel Farage por donativo milionário não declarado.
O antigo diretor executivo do Partido Nacional Escocês (SNP), Peter Murrell, foi condenado esta terça-feira pelo Tribunal Superior de Edimburgo a cinco anos e três meses de prisão por desvio de fundos partidários. Murrell, de 61 anos, confessara em maio ter-se apropriado de 400.310 libras (cerca de 463 mil euros) entre 2010 e 2022, utilizando o dinheiro para adquirir uma autocaravana de luxo, viaturas, artigos de ourivesaria, canetas de marca e até produtos de limpeza. O juiz Andrew Young classificou o crime como “um calculado ato de desonestidade” e sublinhou que a pena visa dissuadir “qualquer alto responsável de grandes organizações” de abusar da sua posição.
Na perspetiva de Edimburgo, a sentença encerra um capítulo turbulento para o partido que domina a política escocesa desde 2007, mas deixa sequelas na credibilidade do movimento independentista. Nicola Sturgeon, ex-primeira-ministra e ex-mulher de Murrell, foi ilibada em março passado e, através do seu advogado, afirmou sentir-se “zangada, magoada e angustiada” com o engano. Sturgeon sustentou que nunca teve conhecimento ou suspeita dos desvios, apesar de Murrell ter acumulado em casa bens de alto valor, como uma máquina de cortar relva robótica registada como “honorários jurídicos”. O SNP, que na semana passada perdeu um assento em eleições parciais para os conservadores, vê agora a sua máquina financeira sob escrutínio público.
Analistas em Londres notam que o caso Murrell coincide com outra polémica sobre financiamento político no Reino Unido. O líder do partido Reform UK, Nigel Farage, está a ser investigado pelo comissário de conduta parlamentar por não ter declarado um donativo de cinco milhões de libras recebido do empresário de criptomoedas Christopher Harborne. Farage afirmou que o montante é um “presente incondicional” e que pode “gastá-lo em carros se quiser”, recusando revelar quanto já utilizou. A investigação pode resultar numa suspensão da Câmara dos Comuns e, se superior a dez dias, desencadear uma petição de revogação do seu mandato. Na perspetiva de observadores em Bruxelas, os dois episódios reforçam a pressão por regras mais estritas de transparência nas doações a partidos e dirigentes políticos.
O dossiê Murrell está concluído com a leitura da sentença, mas o debate sobre a integridade das finanças partidárias permanece em aberto. A polícia escocesa publicou novas imagens do espólio apreendido, incluindo a autocaravana que Murrell apenas conduziu até casa da mãe. Sturgeon, que abandonou o parlamento no início do ano, continua a negar cumplicidade. Quanto a Farage, o veredito do comissário de conduta é aguardado nas próximas semanas, enquanto o Reform UK tenta capitalizar o descontentamento com os partidos tradicionais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ex-diretor executivo do SNP, Peter Murrell, foi condenado a mais de cinco anos por desviar fundos do partido. Ele usou o dinheiro para comprar artigos de luxo, um motorhome e carros. O caso destaca a má gestão financeira dentro do partido independentista escocês.
Peter Murrell, marido separado de Nicola Sturgeon, foi interrogado duramente pela polícia sobre seus gastos ultrajantes em canetas de luxo e outros itens. Ele desviou mais de £400.000 do SNP, demonstrando um desprezo descarado pelos membros do partido. A sentença de cinco anos traz um pouco de justiça.
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