
Quénia suspende construção de centro de quarentena de ébola dos EUA após advertência judicial
Ministro da Saúde ordenou paralisação imediata das obras na base aérea de Laikipia, enquanto bispos católicos exigem transparência e diálogo sobre o projeto contestado.
O ministro da Saúde do Quénia, Aden Duale, ordenou na terça-feira a suspensão imediata de todas as atividades de construção de um centro de quarentena para o vírus ébola na base aérea de Laikipia, gerido pelos Estados Unidos. A decisão foi anunciada perante o Tribunal Superior de Nairobi, que na véspera considerara Duale em desacato por ignorar uma ordem judicial anterior de paralisação das obras. O juiz acabou por perdoar o ministro, emitindo uma advertência severa, depois de Duale ter garantido que o executivo queniano e Washington suspenderam conjuntamente a colaboração prevista.
A intervenção do tribunal ocorreu num contexto de crescente contestação interna. A Conferência Episcopal do Quénia (KCCB) divulgou um comunicado em que exige “diálogo genuíno e transparente” e denuncia a ausência de consulta pública, de escrutínio parlamentar e de divulgação dos acordos que enquadram a instalação. Os bispos católicos questionam a soberania nacional e o risco de importação de uma doença letal, sublinhando que os protestos contra o projeto já provocaram mortes na região de Laikipia. Na perspetiva de Washington, segundo fontes diplomáticas ocidentais, a estrutura de 50 camas de isolamento destina-se a acolher cidadãos norte-americanos eventualmente expostos ao ébola na República Democrática do Congo, onde o atual surto já regista mais de mil casos.
Imagens de satélite de 22 de junho analisadas por agências internacionais mostravam que a construção avançara significativamente, com aumento de tendas, áreas pavimentadas e contentores, apesar das ordens judiciais. Voos com equipamento médico e pessoal especializado continuaram a aterrar na base aérea, de acordo com dados de rastreamento de voos e fontes diplomáticas. O executivo queniano, através do porta-voz Isaac Mwaura, defendeu que as decisões sobre preparação para o ébola se basearam em evidência científica e em intervenções estratégicas de saúde pública, ao mesmo tempo que apelou à contenção nas manifestações convocadas para 25 de junho, data em que se assinalam as vítimas dos protestos antigovernamentais de 2024 e 2025.
Observadores em Brasília notam paralelos com debates ocorridos no Brasil durante a epidemia de Zika, quando laboratórios de biossegurança com financiamento norte-americano suscitaram controvérsias sobre soberania sanitária. Em Lisboa, diplomatas sublinham o precedente que o caso representa para acordos bilaterais de saúde em África, numa altura em que países lusófonos como Angola e Moçambique reforçam a vigilância epidemiológica. A suspensão das obras é temporária e aguarda a audição da petição substantiva no tribunal queniano, enquanto a Igreja Católica se ofereceu para mediar um diálogo estruturado entre governo, sociedade civil e parceiros internacionais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ministro da Saúde do Quénia escapou por pouco a uma punição por desacato depois de ignorar uma ordem judicial para parar um centro de isolamento de Ébola financiado pelos EUA. A forte oposição popular e os protestos mortais contra o risco de importar o vírus forçaram o governo a suspender o projecto, reafirmando a autoridade judicial e a soberania popular.
Perante a oposição popular e os receios de importar o Ébola, o Quénia suspendeu a abertura de um centro de quarentena americano. O projecto cristaliza tensões políticas e preocupações sanitárias numa região já a braços com uma epidemia.
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