
Criação de vagas nos EUA desacelera e alivia temores de alta de juros
Relatório de emprego abaixo do esperado reduz apostas em aperto monetário e impulsiona bolsas, enquanto ouro sobe e petróleo recua.
A economia dos Estados Unidos gerou 57 mil postos de trabalho em junho, muito aquém dos 110 mil projetados por economistas, e o número de maio foi revisto em baixa, de 129 mil para 122 mil. A taxa de desemprego recuou para 4,2%, em linha com as expectativas. O dado interrompeu uma sequência de ganhos robustos e moderou as expectativas de aumento dos juros pelo Federal Reserve, levando os principais índices de Wall Street a subir: o Dow Jones avançou 0,86%, o S&P 500 ganhou 0,67% e o Nasdaq Composite valorizou 0,56%.
A desaceleração do mercado de trabalho reduz a pressão sobre o banco central norte-americano para elevar o custo do crédito como forma de conter a inflação. A probabilidade implícita de ao menos uma alta de juros este ano caiu de 84% para 76%, segundo dados da LSEG. O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmara na véspera que os riscos inflacionários diminuíram, mas reiterou o compromisso com a meta de 2%. Para Florian Ielpo, da Lombard Odier Investment Managers, o número “indica que o mercado de trabalho está bem, mas não suficientemente aquecido para acelerar a inflação”.
O ouro à vista subiu 0,7%, para 4.057,92 dólares por onça, beneficiado pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro e pelo recuo do petróleo. Os preços do barril cederam cerca de 1% depois de negociações indiretas entre EUA e Irão, mediadas pelo Catar, terem registado “progressos positivos”, o que aliviou temporariamente os receios de disrupção no Estreito de Ormuz. Na perspetiva de Brasília, um Fed menos inclinado a subir juros tende a favorecer ativos de mercados emergentes, como o real e o Ibovespa, ao reduzir a atratividade dos títulos americanos.
O foco dos investidores volta-se agora para os próximos indicadores e para a reunião do Fed. A média móvel de três meses de criação de vagas, de 111 mil, ainda se mantém acima dos níveis de 2025, o que sugere resiliência, mas o arrefecimento é suficiente para que o banco central se sinta confortável em manter as taxas inalteradas, avaliam economistas da Pantheon Macroeconomics. A evolução das tensões geopolíticas e dos preços da energia permanece como risco para o cenário de inflação, podendo alterar o cálculo da autoridade monetária nas próximas semanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os dados fracos do mercado de trabalho dos EUA reduzem as expectativas de um aumento da taxa do Fed. Os comentários do presidente Warsh em Sintra sinalizam progresso na inflação, enquanto o BCE considera mais um aumento. Os mercados globais de ações e câmbio reagem com cautela.
O ouro sobe depois que os comentários do presidente do Fed, Warsh, atenuam as especulações sobre um aumento de juros. O metal precioso ganha 1,2% para cerca de US$ 4.080 a onça, estendendo a recuperação da sessão anterior. O mercado interpreta as palavras de Warsh como um sinal de política monetária acomodatícia.
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