
Inglaterra enfrenta México e a muralha de altitude no mítico Azteca
A vitória sobre RD Congo conduz os Three Lions ao estádio que consagrou Pelé e Maradona, onde a ciência alerta para desvantagem física decisiva.
A suada vitória por 2-1 sobre a República Democrática do Congo, na madrugada de quinta-feira, carimbou o passaporte da Inglaterra para os oitavos de final do Mundial. O prémio, porém, é uma viagem à Cidade do México e a um dos palcos mais temidos do futebol: o Estádio Azteca, onde os anfitriões mexicanos aguardam num ambiente de fervor nacionalista. Trinta e oito anos depois do golo de “Mão de Deus” de Maradona, os Three Lions pisam de novo o relvado que assistiu à consagração de Pelé em 1970, agora assombrados por um adversário invisível — o ar rarefeito a 2.240 metros de altitude.
A altitude do Azteca transformou-se no centro da discussão táctica e fisiológica. A pressão parcial de oxigénio é drasticamente menor a esta cota, forçando os jogadores a respirar mais intensamente para captar a mesma quantidade de oxigénio. Estudos citados pela imprensa europeia indicam que a distância total percorrida pode cair 3,1% e o tempo de recuperação após sprints quase duplica. O selecionador Thomas Tuchel reconheceu a “enorme desvantagem”: “É impossível adaptarmo-nos em quatro dias. Temos de lidar com isso.” O plantel inglês instalou-se no Kansas a apenas 280 metros de altitude e viajou para o México apenas 48 horas antes do jogo, uma estratégia que divide especialistas. Na Alemanha, o jornal Bild ouviu o pneumologista Matthias Krüll, que antevê uma quebra no rendimento atlético: “Eles vão ficar sem fôlego mais cedo.”
Do lado mexicano, a confiança extravasa dados: em 89 jogos no Azteca, a seleção soma 70 vitórias e apenas duas derrotas, permanecendo invicta em duelos do Mundial. O ataque combina a potência de Julián Quiñones, artilheiro na Arábia Saudita, e o talento emergente de Gilberto Mora, de 17 anos, tratado como uma das maiores promessas do planeta. Para o público lusófono, o estádio ecoa a imagem de Pelé erguendo a sua terceira Taça Jules Rimet num jogo orquestral, e o golo de Carlos Alberto que selou o Brasil eterno de 1970. Agora, o Azteca despede-se dos Mundiais — será o último jogo do torneio neste recinto — e quer fazê-lo com outro capítulo de glória local.
Ciente do simbolismo e dos obstáculos físicos, Tuchel aposta na personalidade da sua equipa: “Quando as coisas apertarem, estaremos prontos.” A Inglaterra carrega ainda o fardo de nunca ter vencido um jogo a eliminar no Azteca, enquanto o México tenta repetir as façanhas de 1970 e 1986. O vencedor seguirá para os quartos de final, onde provavelmente encontrará um adversário sul-americano, num torneio que cada vez mais castiga os que não se adaptam.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The altitude of Mexico City threatens England's physical endurance, while the return to the Azteca evokes the trauma of the Hand of God. Tuchel's team is portrayed as stumbling and unprepared for the upcoming challenge.
England faces Mexico in a complex historical and environmental context, with altitude and the legend of the Azteca as factors to consider. British media analyze the dangers with moderation, seeking to prepare the public without alarmism.
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