
Sinais de tensão fiscal e comercial convergem em economias emergentes
Relatórios oficiais no Brasil, Indonésia, Índia, Marrocos e Colômbia revelam pressões simultâneas sobre contas públicas e balanças comerciais, com alertas de insustentabilidade a médio prazo.
O Tesouro Nacional brasileiro projetou que, sem novas medidas, o governo federal não conseguirá cumprir o piso da meta de resultado primário entre 2028 e 2030, mesmo num cenário que pressupõe crescimento do PIB acima de 2,5% ao ano e juro real de 3% no horizonte. O défice primário estimado para 2026 é de 0,4% do PIB, ainda dentro da banda de tolerância, mas a partir de 2028 os superávits projetados — de 0,2% a 0,3% do PIB — ficam aquém do mínimo exigido, exigindo um esforço adicional de até 136,4 mil milhões de reais em 2030. A análise, divulgada no Relatório de Projeções Fiscais, indica que as despesas obrigatórias, em especial benefícios previdenciários e pisos constitucionais de saúde e educação, crescem acima do limite do arcabouço, comprimindo o espaço para investimentos e custeio.
Na perspetiva de Jacarta, o banco central indonésio reagiu ao primeiro défice comercial mensal em seis anos, registado em maio de 2026, com um pacote de medidas de reforço da resiliência externa. O saldo negativo de 1,61 mil milhões de dólares resultou de importações de 24,81 mil milhões de dólares, superiores às exportações de 23,20 mil milhões, pressionado pelo agravamento da balança de petróleo e gás. Apesar do défice pontual, o acumulado do ano mantém um superávit de 4,03 mil milhões de dólares, sustentado pelas exportações de matérias-primas como níquel e combustíveis minerais. As autoridades monetárias anunciaram intervenções cambiais, incentivos à internalização de divisas de exportação e ampliação de transações em moedas locais com parceiros comerciais.
A Índia também viu as suas contas públicas sob tensão, com o défice orçamental a atingir 9,6% da meta anual nos dois primeiros meses do ano fiscal de 2026-27, doze vezes o valor percentual do mesmo período do ano anterior. A deterioração ocorreu apesar de uma transferência recorde de 2,8 biliões de rupias do banco central, que gerou um superávit pontual em maio. A receita tributária caiu 1% em termos homólogos, com destaque para a quebra de quase 20% na arrecadação de impostos sobre combustíveis, enquanto a despesa total subiu 18%, impulsionada por um aumento de 13% no investimento em infraestrutura.
Em Rabat, o défice comercial marroquino ultrapassou 159 mil milhões de dirhams nos primeiros cinco meses de 2026, uma subida de 20,8% face ao ano anterior, com as importações a crescerem 11,8% e as exportações apenas 5,8%. A fatura energética e as compras de matérias-primas explicam grande parte da pressão, enquanto as vendas de automóveis e componentes aeronáuticos registaram aumentos expressivos, mas insuficientes para compensar a queda nas exportações de têxteis, eletrónica e fosfatos. Já em Bogotá, a Controladoria-Geral da Colômbia alertou que o orçamento de 2026, de 555,72 biliões de pesos, enfrenta um défice de financiamento de 303 biliões de pesos, equivalente a 54,5% do total, com a arrecadação tributária aquém das metas revistas e a execução do investimento em setores como transportes e saúde abaixo dos 11%.
O conjunto de indicadores desenha um quadro de margens fiscais estreitas em várias economias emergentes, num momento em que a desaceleração do crescimento — a Colômbia registou 2,2% no primeiro trimestre — e o peso do serviço da dívida limitam a capacidade de resposta. O próximo marco a observar será a apresentação de estratégias de ajustamento pelos governos que assumirão funções em 2027, em particular no Brasil, onde as campanhas presidenciais evitam, até agora, detalhar planos de consolidação.
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Morocco celebrates the tariff suspension as a diplomatic victory that strengthens its economy.
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It does not mention trade deficits, suggesting that legal issues are more relevant to its audience.
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