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Geopolítica & Políticasábado, 27 de junho de 2026

Acordo trilateral entre Israel, Líbano e EUA estabelece roteiro para desarmar o Hezbollah

Documento de 14 pontos prevê retirada faseada das tropas israelitas e transferência de zonas-piloto para o exército libanês, condicionada ao desarmamento verificado de grupos armados não estatais.

Israel, o Líbano e os Estados Unidos assinaram na sexta-feira, em Washington, um acordo-quadro trilateral que estabelece um processo faseado para pôr fim às hostilidades na fronteira e desarmar os grupos armados não estatais no sul do Líbano, com destaque para o Hezbollah. O texto, divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano, prevê que as Forças Armadas Libanesas (LAF) assumam progressivamente a responsabilidade de segurança em «zonas-piloto», permitindo a retirada gradual das Forças de Defesa de Israel (IDF). O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o acordo como «o começo do começo» e anunciou um pacote de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária, além de 30 milhões em reembolsos às forças libanesas.

As reações ao documento expõem a distância entre as partes. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas permanecerão numa faixa de segurança até que o Hezbollah seja desarmado, enquanto o líder do grupo xiita, Naim Qassem, exigiu uma retirada israelita «incondicional» de cada centímetro de território libanês. O Presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro, Nawaf Salam, descreveram o acordo como um primeiro passo para restaurar a soberania do país. Em Teerão, a reação oficial ainda não surgiu, mas a agência Fars, alinhada com o poder, classificou o texto como um plano para desarmar a «resistência» e eliminar o Hezbollah do sul do Líbano. O deputado do Hezbollah Hassan Fadlallah rejeitou negociações diretas com Israel e advertiu que a aplicação do acordo, com apoio americano, empurrará o Líbano para uma guerra civil.

O mecanismo central do acordo reside nas duas zonas-piloto iniciais, uma a sul e outra a norte do rio Litani, onde as LAF assumirão o controlo exclusivo após a verificação do desarmamento dos grupos não estatais e o desmantelamento das suas infraestruturas. O documento prevê ainda a criação de grupos de trabalho bilaterais para redigir um acordo de paz abrangente e de um grupo de coordenação militar trilateral, facilitado pelos EUA, para supervisionar a implementação. Israel declara que as suas ações militares no Líbano foram «unicamente consequência» dos ataques do Hezbollah e que o fim da ameaça eliminará qualquer necessidade futura de presença militar israelita, sublinhando não ter «ambições territoriais» no país vizinho.

O quadro surge após cinco rondas de conversações diretas em Washington, mediadas pela administração Trump, e num contexto de tréguas frágeis que não travaram totalmente os combates. O conflito, que rebentou a 2 de março com o disparo de rockets do Hezbollah em retaliação pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em ataques americanos e israelitas, já provocou mais de 4.200 mortos no Líbano e deslocou mais de um milhão de pessoas, segundo as autoridades libanesas. Do lado israelita, registaram-se 36 soldados e quatro civis mortos. A União Europeia manifestou disponibilidade para apoiar a implementação, e o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, saudou o acordo como «um momento de esperança e oportunidade».

A próxima etapa passa pela elaboração do anexo de segurança que detalhará as medidas de verificação e os calendários de retirada. A rejeição frontal do Hezbollah, que não é parte signatária, e a insistência de Israel em manter a presença militar até ao desarmamento completo colocam em causa a exequibilidade do plano. O dossier está agora dependente da capacidade de Washington para converter o compromisso político num processo irreversível no terreno, enquanto a região observa os efeitos do acordo paralelo entre os EUA e o Irão sobre o conjunto das frentes de conflito no Médio Oriente.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa atlântica / anglosferaImprensa iraniana e afins
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O acordo-quadro trilateral assinado em Washington é uma vitória diplomática histórica, um duro golpe no Irã e no Hezbollah. O processo de desarmamento e a retirada das zonas-piloto restauram a plena soberania libanesa, abrindo caminho para uma paz duradoura. A administração Trump reivindica o sucesso da mediação, chamando o acordo de 'o começo do começo'.

Imprensa iraniana e afins/ Regime
AlarmeCeticismoIndignação

O acordo imposto por Washington e Tel Aviv visa desmantelar a resistência armada do Hezbollah, excluindo-o das negociações. O quadro, recebido com ceticismo, ameaça agravar as tensões internas libanesas e desestabilizar a região. Sua implementação efetiva permanece incerta, pois o poder de dissuasão do Partido de Deus não pode ser ignorado.

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sábado, 27 de junho de 2026

Acordo trilateral entre Israel, Líbano e EUA estabelece roteiro para desarmar o Hezbollah

Documento de 14 pontos prevê retirada faseada das tropas israelitas e transferência de zonas-piloto para o exército libanês, condicionada ao desarmamento verificado de grupos armados não estatais.

Israel, o Líbano e os Estados Unidos assinaram na sexta-feira, em Washington, um acordo-quadro trilateral que estabelece um processo faseado para pôr fim às hostilidades na fronteira e desarmar os grupos armados não estatais no sul do Líbano, com destaque para o Hezbollah. O texto, divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano, prevê que as Forças Armadas Libanesas (LAF) assumam progressivamente a responsabilidade de segurança em «zonas-piloto», permitindo a retirada gradual das Forças de Defesa de Israel (IDF). O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o acordo como «o começo do começo» e anunciou um pacote de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária, além de 30 milhões em reembolsos às forças libanesas.

As reações ao documento expõem a distância entre as partes. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas permanecerão numa faixa de segurança até que o Hezbollah seja desarmado, enquanto o líder do grupo xiita, Naim Qassem, exigiu uma retirada israelita «incondicional» de cada centímetro de território libanês. O Presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro, Nawaf Salam, descreveram o acordo como um primeiro passo para restaurar a soberania do país. Em Teerão, a reação oficial ainda não surgiu, mas a agência Fars, alinhada com o poder, classificou o texto como um plano para desarmar a «resistência» e eliminar o Hezbollah do sul do Líbano. O deputado do Hezbollah Hassan Fadlallah rejeitou negociações diretas com Israel e advertiu que a aplicação do acordo, com apoio americano, empurrará o Líbano para uma guerra civil.

O mecanismo central do acordo reside nas duas zonas-piloto iniciais, uma a sul e outra a norte do rio Litani, onde as LAF assumirão o controlo exclusivo após a verificação do desarmamento dos grupos não estatais e o desmantelamento das suas infraestruturas. O documento prevê ainda a criação de grupos de trabalho bilaterais para redigir um acordo de paz abrangente e de um grupo de coordenação militar trilateral, facilitado pelos EUA, para supervisionar a implementação. Israel declara que as suas ações militares no Líbano foram «unicamente consequência» dos ataques do Hezbollah e que o fim da ameaça eliminará qualquer necessidade futura de presença militar israelita, sublinhando não ter «ambições territoriais» no país vizinho.

O quadro surge após cinco rondas de conversações diretas em Washington, mediadas pela administração Trump, e num contexto de tréguas frágeis que não travaram totalmente os combates. O conflito, que rebentou a 2 de março com o disparo de rockets do Hezbollah em retaliação pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em ataques americanos e israelitas, já provocou mais de 4.200 mortos no Líbano e deslocou mais de um milhão de pessoas, segundo as autoridades libanesas. Do lado israelita, registaram-se 36 soldados e quatro civis mortos. A União Europeia manifestou disponibilidade para apoiar a implementação, e o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, saudou o acordo como «um momento de esperança e oportunidade».

A próxima etapa passa pela elaboração do anexo de segurança que detalhará as medidas de verificação e os calendários de retirada. A rejeição frontal do Hezbollah, que não é parte signatária, e a insistência de Israel em manter a presença militar até ao desarmamento completo colocam em causa a exequibilidade do plano. O dossier está agora dependente da capacidade de Washington para converter o compromisso político num processo irreversível no terreno, enquanto a região observa os efeitos do acordo paralelo entre os EUA e o Irão sobre o conjunto das frentes de conflito no Médio Oriente.

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O acordo imposto por Washington e Tel Aviv visa desmantelar a resistência armada do Hezbollah, excluindo-o das negociações. O quadro, recebido com ceticismo, ameaça agravar as tensões internas libanesas e desestabilizar a região. Sua implementação efetiva permanece incerta, pois o poder de dissuasão do Partido de Deus não pode ser ignorado.

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