
Visita de al-Zaidi a Washington fixa setembro como prazo para desarmar milícias
O primeiro-ministro iraquiano obteve apoio público de Trump e anunciou o fim de setembro como data-limite para a entrega de armas por grupos não estatais, num contexto de pressão regional e interna.
O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, concluiu uma visita oficial a Washington durante a qual o presidente Donald Trump o descreveu como “corajoso” e “lutador feroz”, e o secretário da Defesa, Pete Hegseth, condicionou o aprofundamento da parceria bilateral ao desarmamento das milícias alinhadas com o Irão. No final do encontro na Casa Branca, al-Zaidi anunciou que o prazo para todos os grupos não governamentais entregarem as armas termina no final de setembro, um compromisso que, segundo fontes em Washington, é visto como o teste central à capacidade do governo iraquiano de restaurar o monopólio estatal da força.
Na perspetiva das capitais do Golfo, a pressão sobre Bagdade intensificou-se nas últimas semanas. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Jassem al-Budaiwi, terá apresentado às autoridades iraquianas informações sobre ataques atribuídos a grupos armados iraquianos contra Estados-membros, de acordo com relatos na imprensa israelita e iraniana. Diplomatas em Riade e Abu Dhabi, citados por analistas regionais, consideram que o alinhamento entre a pressão americana e a dos países do Golfo cria uma janela para que al-Zaidi avance com a dissolução das redes armadas, embora duvidem de que as milícias aceitem desmobilizar-se sem resistência.
Em Bagdade, a visita reforçou a posição do primeiro-ministro perante as fações políticas, mas também expôs as divisões internas. Observadores iraquianos notam que al-Zaidi conta com o apoio tácito do movimento sadrista, que condiciona a sua sustentação à continuação da política de desarmamento e de combate à corrupção, ao mesmo tempo que enfrenta a desconfiança de setores do Quadro de Coordenação, a coligação que o levou ao poder. A decisão de reclassificar o uso de drones como crime de terrorismo, confirmada por fontes judiciais, é interpretada como um sinal de que o aparelho de Estado começa a criar instrumentos legais para enfraquecer as milícias, ainda que a aplicação efetiva dependa de uma vontade política que, segundo analistas em Beirute, continua por testar.
A próxima etapa do dossiê será a anunciada visita de al-Zaidi a Teerão, a convite do presidente iraniano, Massoud Pezeshkian. Fontes em Teerão descrevem a deslocação como um esforço para “reforçar as relações bilaterais”, mas diplomatas europeus em Bruxelas avaliam que o Irão tentará travar a erosão da sua influência no Iraque num momento em que a pressão americana e regional se conjuga com o enfraquecimento da sua posição devido às tensões no Estreito de Ormuz. O sucesso do prazo de setembro dependerá, em larga medida, da capacidade de al-Zaidi para equilibrar as exigências externas com as complexas lealdades internas, enquanto a retirada das forças americanas do Iraque prossegue e a missão militar da coligação internacional contra o Estado Islâmico se aproxima do fim.
| Imprensa do Golfo árabe | +0.60 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.30 | critical |
| Imprensa israelense | +0.70 | aligned |
Iraq has a historic chance: with Trump's support and the September deadline, Zaidi can finally impose the rule of law and disarm the militias, joining a new US-led regional axis.
The narrative presents Trump's support as external legitimacy that strengthens Zaidi's domestic position, turning an imposed deadline into an opportunity for reform.
Omits Zaidi's planned visit to Iran and the Gulf states' pressure for disarmament, which would complicate the narrative of exclusive alignment with the US.
External pressures for militia disarmament are a maneuver by Gulf states and Israel, while Iraq maintains its sovereignty by balancing relations with Iran.
Uses the mention of 'Hebrew media' to insinuate that disarmament demands are self-interested and not legitimate, and pre-announces the Iran visit to show Iraq is not aligned solely with Washington.
Does not mention Trump's public support for Zaidi nor the September deadline as an Iraqi commitment, which would show a willingness for internal reform.
The Trump-Zaidi meeting marks a historic turning point: after decades of conflict, the US and Iraq can build a strategic partnership based on personal trust and shared interest in stability.
Frames the event in a long historical narrative of ups and downs between the US and Iraq, presenting the meeting as a 'new leaf' that overcomes previous tensions, thanks to the personalization of the Trump-Zaidi relationship.
Omits the Gulf states' pressures and the Iran visit, which would show the complexity of Iraq's relations and the persistence of competing influences.
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